Orgulho!

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

CABO TOCO - BREVE BIOGRAFIA


Imagem escaneada: recorte de jornal emprestado pela amiga de Cabo Toco, professora Vilma Zanini.
Título da matéria: Brigada perde sua heroína
Jornal do Povo, 22 de outubro de 1989


Olmira Leal de Oliveira, conhecida como "Cabo Toco", nasceu no dia 18 de junho de 1902 em Caçapava do Sul, filha de Francisco José Oliveira e ...... (?)* Coelho Leal de Oliveira.
* Encontrei dois nomes diferentes.
Na década de 20, integrou as fileiras da Brigada Militar, como combatente e enfermeira do 1º Regimento de Cavalaria, hoje 1º Regimento de Polícia Montada, sediado em Santa Maria. Participou dos movimentos revolucionários de 1923, 1924 e 1926. Ela incorporou em 1923 e só deixou a Brigada em 1932.
Olmira era natural da localidade de Camaquã, em Caçapava do Sul.
Em 1951, casou-se com Antônio Martins da Silva, mas não teve filhos.
Faleceu em 21 de outubro de 1989 com 87 anos.
Recebia até então uma pensão vitalícia especial, correspondente ao cargo de 2º sargento da Brigada Militar concedida havia dez anos por parte do Governo do estado
Sua figura ficou conhecida em 1987, quando a intérprete Fátima Gimenez venceu a V Vigília do Canto Gaúcho contando sua história na música "Cabo Toco".
Ela também é patrona da 1ª turma de PMs femininas do estado. Ijuí também homenageou Cabo Toco com o seu nome a uma rua da cidade bem como ao CTG do 9º Batalhão da Polícia Militar da mesma cidade (Jornal do Povo, 18 de agosto de 1991).
O Cabo Toco, apesar de atos heróicos dentro do 13º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar durante as revoluções de 1923 e 1924, depois de passar por várias batalhas com destaque de bravura, em 1932 deixou a corporação. Apesar de ter sido considerada heroína, Olmira Leal de Oliveira só conseguiu receber um soldo do Governo do estado depois que Nilo Brum e Heleno Gimenez venceram a V Vigília do Canto Gaúcho com uma composição em sua homenagem. Mesmo assim, ela morreu em 1989 morando em um barraco na zona periférica da cidade.



Olmira Leal, a Cabo Toco e Vilma Zanini em 1985 do Seminário 70 anos de Antônio Chimango, Livro de Ramiro Barcelos. Esta foto está publicada na Página do Passado do Jornal do Povo e também na matéria intitulada "Cabo Toco combateu maragatos em 1923", no jornal Zero Hora em 19 de setembro de 1997.

À medida que conseguir mais detalhes, vou acrescentando. Publicarei brevemente artigo escrito por Vilma no jornal O Correio bem como vasta matéria publicada no jornal Zero Hora além do que for possível ir pesquisando e encontrando.



Jornal do Povo, 22 de outubro de 1989


Matéria jornalística: não foi identificado (ainda) o jornal

A HIPOCRISIA CACHOEIRENSE
Observar ou discutir a cultura dominante em Cachoeira do Sul tem sido uma constante de "papo furado". Pouco, aliás nada na água estagnada, tem saído do verbal. Acostumados a ver a "valorização do recurso humano cachoeirense" na solidão da espera, aplaudimos o abandono. Um exemplo vivo, "Cabo Toco" vencendo a Vigília em 1987, aplaudidíssima, com presença da personagem que absorveu a atenção da cidade. Bandeira de alguns políticos na época, buscou-se o "amparo" para a cachoeirense mais popular, naqueles dias, orgulho da terra do arroz. Da poesia para a realidade, o tempo vai passando e continua o mofo do desrespeito à vida, numa cidade de memória agonizante. Não é difícil encontrarmos na noite cachoeirense, pelas ruas do abandono, a "heroína Cabo Toco", como é popularmente conhecida Olmira Leal de Oliveira, a passos lentos e cansada, solitária, levando consigo a história que o povo desconhece, esquecida pela hospitalidade da falsa capital do arroz. Na madrugada de terça-feira, às 2h, encontrei-a na avenida Brasil, carregando no corpo por mais de 15 minutos, o tempo que levou para percorrer uma quadra - a do Supermercado Tischler até o Bar Azul, o peso de uma existência árdua. Uma verdade ante a excessiva hipocrisia cachoeirense. Eu questiono: "Será isso, desrespeito ao ser humano ou ignorância da sociedade?"
Roberto Cardoso

Jornal do Povo, 26 de fevereiro de 1989
Banco de Dados do Museu Municipal - Patrono Edyr Lima


Mais sobre o assunto:
Matéria sobre o curta-metragem do colégio Roque Gonçalves realizado pelo grupo de teatro da escola. Jornal do Povo, 18 de março de 2005.

2 comentários:

  1. Oi Rê!
    Este resgate da 3ºSgt Cabo Toco tb foi um "revival" da minha pré-adolescência, pois lembro de ouvir esta música, à época tocada qse diariamente, no velho radinho do meu pai. :)
    Até procurei o vídeo agora no youtube, para relembrar....e para minha surpresa eu ainda sei cantar o refrão!
    Lisiane
    ;)

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  2. Muito bom o teu blog, Renate! Eu conheci hoje depois de tu o ter colocado o endereço num comentário no JP.
    ABS

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