Orgulho!

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domingo, 23 de janeiro de 2011

QUEM FOI QUEM NA VISITA DE OLAVO BILAC A CACHOEIRA

QUEM FOI QUEM NA VISITA DE OLAVO BILAC A CACHOEIRA

1. ANTUNES DE ARAÚJO
Dono do jornal ‘O Governo’ que circulou desde 1898 e Conselheiro Municipal de 1908 a 1912.

2. ARLINDO LEAL
Arlindo Leal, engenheiro, foi membro da comissão internacional que tratou da construção da Ponte Uruguaiana–Libres, divisa com Argentina, obra que teve a sua direção técnica. Na política, pelo Partido Republicano Rio-grandense, exerceu mandato como deputado estadual. Em Cachoeira foi um dos maiores e mais bem sucedidos orizicultores e elegeu-se conselheiro municipal (vereador), de 1908 a 1912. Desavenças políticas com os Neves da Fontoura, especialmente com João Neves, a quem chamava de Senhor Lagartixa, movimentaram a imprensa cachoeirense entre 1913 e 1914. Casou-se com Aracy Ribas Leal e teve os filhos Adalcira, Adayl, Antônio, Arita, Ary e João José. Faleceu em 26/5/1947, aos 67 anos.

3. AUGUSTO BRANDÃO (1863-1933)
O gabrielense Augusto César Brandão nasceu em 28 de outubro de 1863 e veio morar com os pais aqui ainda menino. Filho e neto de militares, quis também seguir a carreira das armas, mas logo desistiu. Preferia as letras. Escreveu assiduamente para os jornais locais, especialmente O Comércio. Além de jornalista, Brandão desenvolveu carreira na área do direito, embora não fosse diplomado. Foi juiz distrital e promotor de justiça durante muitos anos e militante do Partido Republicano, tendo ocupado cadeira de conselheiro municipal de 1916 a 1920. Brandão foi casado com a professora Cândida Fortes Brandão e não teve filhos. Faleceu aos 70 anos, em 8 de janeiro de 1933.

4. BALTHAZAR DE BEM
Intendente de 1912 a 1916, industrialista, proprietário do estabelecimento Paredão. Chegou a deputado estadual.

Imagem: Balthazar com Marina, familiares e empregados. Cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima

5. MARINA MATTOS DE BEM
Esposa de Balthazar de Bem.

6. BENJAMIN CAMOZATO
Benjamin Camozato, filho de Vitória Camozato, nasceu aos 19/5/1885, em Porto Alegre, onde faleceu em 4/5/1964. Casado em primeiras núpcias com Ophelia da Fontoura Borges, tiveram os filhos: Wanda, Weimar e Walmor.. Dentista diplomado em 1904 e com prática na França, foi também fotógrafo amador, cinegrafista, filatelista e comerciante. Filmou cenas da Revolução de 1923 na fronteira do Estado e inclusive em Cachoeira, onde teve vários empreendimentos, como o Cine América, revenda das máquinas de escrever da marca Typewriter e de trilhadeiras, produção e comercialização de cartões-postais dos principais pontos da cidade, por volta de 1916, e publicação, em 1922, do conhecido Álbum de Cachoeira, constituindo-se importantes referências documentais para os pesquisadores.

7. CÂNDIDA FORTES BRANDÃO


Imagem: cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima

Nasceu em Cachoeira, em 13/4/1862, onde faleceu em 4/11/1922. Filha de Fidêncio Pereira Fortes e Clarinda de Oliveira Fortes. Em 1901 casou-se com o jurista Augusto César Brandão, não tendo filhos. Diplomada professora pela Escola Normal de Porto Alegre, dedicou-se ao magistério durante 37 anos, sendo a primeira diretora do Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, instalado em 1915. Educadora austera e respeitada por suas opiniões, foi precursora das mulheres cachoeirenses na imprensa, especialmente no jornal O Comércio, em que desde 1902 publicava poemas, cartas e artigos de cunho educativo e patriótico. Muitas de suas produções literárias, algumas delas dispersas por jornais e revistas do estado e do país, eram assinadas pelos pseudônimos Canolifor (composto pelas iniciais de seu nome de solteira: Cândida de Oliveira Fortes) e Marina. Publicou apenas um livro: “Fantasia”.

8. CORONEL HORÁCIO BORGES


Imagem: Grande álbum de Cachoeira, Benjaminn C. Camozato
Cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima
Vice-intendente em 20/10/1912.

9. CORONEL BAPTISTA CARLOS
Fazendeiro e Conselheiro Municipal de 1908 a 1912.

10. RAMIRO RAMOS DE CHAVES
Irmão de Célia Decker, casada com o médico Artur Decker.

11. FELIPE MOSER
Veio muito moço da Alemanha, sua terra natal, para Cachoeira do Sul. Estabeleceu-se como alfaiate e depois montou um armarinho e casa de bilhares chamada Salão Moser. Ainda no ramo de diversões administrou o Cinema Familiar, fundado pelos irmãos Pohlmann e instalado na Praça José Bonifácio. Militante do Partido Republicano, Moser ocupou cargos políticos de confiança e foi conselheiro municipal de 1912 a 1916, de 1916 a 1920 e de 1924 a 1928. Era casado com Dolores da Cruz Moser, não tendo filhos, e cunhado do advogado e escritor Milton da Cruz. Faleceu em 26 de maio de 1928 em Porto Alegre, após submeter-se a uma cirurgia de hérnia inguinal.

Imagem: cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima

12. LEONEL FRIEDRICH
Comerciante na rua Sete de Setembro.

13. HENRIQUE MOLLER FILHO

Imagem: Grande álbum de Cachoeira, Benjaminn C. Camozato
Cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima

Membro do Conselho Municipal (1920-1924).

14.VIRGÍLIO DE ABREU
Jornalista e advogado, fundou o Jornal do Povo em 1929, ao lado de Mário Godoy Ilha. Dirigiu o jornal até 1936, quando faleceu, sendo substituído na redação pelo jovem e talentoso jornalista João de Abreu.

15. CORONEL BAPTISTA CARLOS
Fazendeiro e Conselheiro Municipal de 1908 a 1912.

16. PAULINO BRETON
Conselheiro Municipal de 1908 a 1912 e depois de 1912 a 1916.

17.JOÃO MINSSEN ou JEAN AUGUSTE MINSSEN (1891-1971)

João Minssen nasceu na cidade de Pelotas, em 26 de dezembro de 1891, e faleceu em Cachoeira do Sul, em 10 de fevereiro de 1971.
Era filho do agrônomo francês Guilherme Minssen e de Sara Moyse Minssen. O Dr. Guilherme foi um dos professores fundadores do então Lyceu de Agronomia, hoje Faculdade Federal de Agronomia Dr. Eliseu Maciel, tendo posteriormente assessorado Assis Brasil na Granja de Pedras Altas e, como funcionário do Estado, foi sob sua direção que foi construído o Pavilhão de Exposições do Menino Deus.
João Minssen estudou e residiu em Pelotas até chegar o tempo de cursar a faculdade. Foi para a Argentina, onde formou-se em agronomia na Escuela de Santa Catalina, na Universidade de La Plata.
Ficou órfão de pai em 1915, quando a família já residia em Porto Alegre.
Trouxe então a mãe para residir em Cachoeira, que tinha forte vocação agrícola e era pioneira na cultura do arroz irrigado. Começou prestando serviços na Fazenda Tafona, da família Vieira da Cunha.
Posteriormente, tornou-se comerciante. Foi sócio de Prudêncio Schirmer na revenda Ford (onde hoje é a Afubra) e teve, junto com T.C. Burmeister uma das primeiras bombas de gasolina da cidade, na esquina da Farmácia Popular (rua 7 com Major Ouriques).
Casou-se com Fredolina (Frida) Ida Pohlmann Wilhelm em 21 de novembro de 1917, com quem teve nove filhos: Maria, Lucília, Ana, Guilherme, Luciano, Sara, Dayse, Carlos e Ottília, residindo sempre em Cachoeira.
Sempre foi apaixonado pela leitura de livros, jornais e revistas, adquirindo-os sempre na medida de suas posses. Colecionou selos, moedas e minerais.
A filha Lucília herdou a paixão pelos livros, tendo se formado em biblioteconomia em São Paulo, com estudos posteriores nos Estados Unidos. Professora em Porto Alegre, foi a primeira mulher nomeada Diretora da Biblioteca Pública do Estado, onde criou a seção Infantil.
Hoje, a biblioteca infantil da Casa de Cultura Mário Quintana leva o seu nome, assim como a biblioteca local do Instituto Estadual de Educação João Neves da Fontoura.
Foi no governo do Prefeito Cyro da Cunha Carlos que João Minssen foi nomeado diretor da Biblioteca Pública Municipal. A aceitação do cargo foi sob a condição de que seus honorários seriam utilizados na totalidade para aquisição de obras para a biblioteca.
Dedicava-se tanto à biblioteca que sua esposa, Dona Frida, brincava dizendo que a Biblioteca era a Segunda namorada dele.
Informações fornecidas por Eduardo Minssen, neto de João Minssen, em 1º de dezembro de 2006, durante as comemorações dos 60 anos da Biblioteca Pública Municipal “Dr. João Minssen”
Data: 05/12/2006
Dr. João Minssen dedicou quase toda sua vida a diversos ramos do comércio e seguros de vida. Por mais de 50 anos, foi agente da Companhia União de Seguros Gerais, em Cachoeira.
Foi provedor do Hospital de Caridade e, em sua gestão foi elaborada a planta e aberta concorrência para construção do atual prédio. Foi Conselheiro Municipal e Vereador. Foi presidente da Associação Comercial, fundador do Centro Cultural, membro da diretoria da Sociedade Rio Branco, sócio-fundador do Rotary Club, presidente do Cachoeira Futebol Clube e da Sociedade Filatélica e Numismática de Cachoeira.
Em 1929, juntamente com Theobaldo Carlos Burmeister adquiriu o espólio do Jornal “O Cachoeirense” que resultou na fundação do atual Jornal do Povo.
Fonte: Biblioteca Pública Municipal João Minssen.


18. FRANCISCO FONTOURA NOGUEIRA DA GAMA (1859-1927)
Francisco Fontoura Nogueira da Gama nasceu em 22/6/1859, em Cachoeira, filho de Carlos Augusto Nogueira da Gama e Gabriela Fontoura da Gama. Era neto de Antônio Vicente da Fontoura. Casado com Rhéa Sylvia Leal da Gama, teve os filhos Carlos, Wladimir, Erotildes, Olavo, Eloísa, Sílvia, Marina e Djanira. Em 1912 elegeu-se vice-intendente do Dr. Balthazar de Bem. Foi eleito intendente municipal em 1916 e novamente em 1924, quando teve como vice o advogado João Neves da Fontoura. No seu governo teve impulso o saneamento da cidade, com a inauguração dos serviços de água e esgoto a partir da Rua Saldanha Marinho, esquina com General Câmara. Problemas de saúde afastaram-no da Intendência, assumindo o posto o vice-intendente João Neves, que concluiu o projeto de saneamento da cidade. Gama faleceu em 29/3/1927, com 67 anos de idade.

19. JOÃO NEVES DA FONTOURA (1887-1963)
Advogado, promotor público, político, jornalista, orador e ensaísta, deputado estadual, federal, embaixador, ministro. Foi ainda Intendente de Cachoeira do Sul (1925 a 1928) e Vice-Governador do RS (1928-1930). Segundo a publicação “Cachoeira Histórica e Informativa”, sua biografia é a biografia da intelectualidade brasileira, no que ela tem de mais expressivo e invulgar. Sua Excia. nas tribunas da palavras escrita e falada, na jurisprudência, na diplomacia e no jornalismo, tem as mesmas projeções luminares de Rui Barbosa. Cachoeira, seu berço, Brasil, sua Pátria, que ele tanto sabe amar e engrandecer, ufanam-se por tê-lo como um dos seus mais diletos filhos.


Imagem: cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima

20. CORONEL HORÁCIO BORGES
Vice-intendente em 20/10/1912.

21. MAJOR JOÃO AUGUSTO LEITÃO
Avô do ministro João Leitão de Abreu.

22. FRANKLIN ARAÚJO


Imagem: Grande álbum de Cachoeira, Benjaminn C. Camozato
Cortesia Museu Municipal - Patrono Edyr Lima

Membro do Conselho Municipal (1920-1924).

AS BANDAS, OS LUGARES E A IMPRENSA E A CARTA MISTERIOSA

I – Orquestra do Coliseu: nos primeiros tempos dos filmes mudos os cinemas possuíam suas próprias orquestras.

II – Banda Musical Estrela Cachoeirense: em 1911 é fundada a banda de música Popular, sob a regência de João Manoel da Motta Curto. Antecede-lhe a Banda Floresta, sob a regência do maestro Marco Ferrão (1899). Sucedem-lhe as bandas Estrela Cachoeirense, de Miguel Iponema, Lira Cachoeirense e a Banda Municipal, sob a regência do maestro Rosa.

III – Colégio Elementar:fundado em 1915. Sua primeira diretora foi a professora Cândida Fortes Brandão. Em 1929 deu lugar a Escola Complementar, sob a direção da professora Laura de Azambuja Marques.

IV – Coliseu Cachoeirense: em 1913 foi aquirido por Manoel da Costa Jr. O Cinema Familiar que era propriedade dos Irmãos Pohlmann desde 1911, cuja fundação por Pedro Fortunato Batista Alegri e Vitório Livi, com o nome de Cinema Parque, data de 1910. Na data de aquisição por Manoel da Costa Jr., passa a se denominar Coliseu Cachoeirense. Em 1921, ao ser adquirido por Henrique Comasseto, que constrói o atual prédio do Cinema Vitória, recebe a denominação de Cine Teatro Coliseu.

V - Jornal O Comércio: foi fundado em 1º de janeiro de 1900. Órgão comercial, noticioso e literário, de propriedade dos srs. H. Möller & Fº, possuía oficinas próprias. No início era semanal (quartas-feiras) e bilingue (português/alemão). Circulou até 28 de fevereiro de 1966.


Esta carta, cuja cópia está guardada no Arquivo Histórico Municipal Carlos Salzano Vieira da Cunha, foi escrita por Bilac logo após o seu regresso ao Rio de Janeiro. O mistério é: por que nela não consta a quem era endereçada? Alguém saberia responder?




Rio de Janeiro, 3 de dezembro de 1916.

Meu caro amigo. Recebi na cidade do Rio Grande a sua amável cartinha. A leitura das suas linhas deu-me alegria e tristeza: alegria, porque me deu a certeza de que deixei amigos na Cachoeira; e tristeza, pela ardente e viva saudade que me causou: saudade de Cachoeira e de toda a boa e generosa gente de Cachoeira, das “Camponesas”, da festa da Granja, das encantadoras horas daqueles radiantes dois dias que vivi nessa linda e carinhosa cidade ...
Só hoje posso escrever-lhe, porque, com a organização dos trabalhos da Liga, tenho tido grande acúmulo de serviço. A Liga vai de vento em popa. A campanha vai acesa. Estamos todos muito animados. Creio que até o começo do próximo ano


...



...
ficará acabada a constituição do Diretórios Regionais; e, então, o mecanismo principiará a funcionar: com perfeita regularidade.
Agradeço, com intensa comoção, o carinho das frases de sua carta. Peço que dê saudades minhas às lindas Camponesas, a toda a sua família, à família Pessoa e aos amigos Dr. Balthazar, Minssen, Gama, João Neves, Isidoro, Antunes de Araújo, Franklin Araújo, Arlindo, Coronel Borges, etc.
E aqui vai um grande abraço, saudoso do teu
amigo muito grato,


Olavo Bilac

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

MÃE-DOCEIRA


Imagem: Célia junto à tenda Poetas do Vale, Feira do Livro 2009

A mãe andava de avental pela cozinha
os guris brincavam no quintal com carrinhos
de latas de azeite. A mãe era doce
quando fazia glacê branco bolo com recheio
e quando fazia de conta que xingava os filhos.

Eu ia para a janela cansada de lamber raspas de
leite condensado. Jamais sonhei a tristeza feito
calda grossa enquanto ela via o ponto do açúcar.

Mas nas sombras a tristeza escorria escaldante
E densa pelo meio dos dias que viriam anos depois
E que nos fez - os irmãos - perdidos uns dos outros
E da mãe-doceira para sempre.

Célia Maria Maciel, poeta cachoeirense.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SONETO

Guilherme, Pedro e Cícero nos Aparados da Serra

Imagem: Cambará do Sul, Rio Grande do Sul

Onde findam todos os limites
alucinado princípio.
Sou como um rio
a que barco nenhum resiste.

Onde a noite funde-se com a alvorada
ali faço meu horizonte
e ocaso. Sou como a fonte
que a sim mesma se bebe insaciada!

Onde Deus começa eu termino
e vice-versa como um rei
que também é bobo da corte.

Em mim coexistem o velho e o menino
por isso nada sei e tudo sei
aquém da vida e além da morte.


Sérgio Lezama, poeta cachoeirense (1930/1966).

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ANIVERSÁRIO DO MUSEU E DA CIDADE

Apresentação do Grupo de Canto do Atelier Livre Municipal e Grupo Instrumental da Orquestra-Escola de Cachoeira do Sul por ocasião da comemoração do aniversário de 32 anos do Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima e dos 151 anos de Cachoeira Cidade. O local foi o Museu Municipal e Parque Municipal de Cultura e a promoção foi do Museu e do Atelier Livre.

Nota
: em meio à apresentação um "pavão misterioso, pássaro formoso" deu o ar de sua graça e logo após foi passear perto do "Último Trem Azul", que segue pedindo socorro à cidade, a seus pés ...
Fotos: Renate Aguiar

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A CIDADE E SEUS POETAS


Os Poetas expuseram seu trabalho no Parque da Cultura

Em 2009 foi lançada a VII Coletânea dos Poetas do Vale, durante a 25ª Feira do Livro da cidade de Cachoeira do Sul, cuja patrona foi D. Ely Marciniak.
Quero despedir-me deste ano com algumas imagens realizadas durante a Feira bem como fragmentos selecionados das obras dos poetas que constam na Coletânea.
A 25ª Feira do Livro aconteceu no espaço da Feira Livre Municipal entre os dias 02 e 11 de outubro de 2009 e contou com variada programação.
Deixou saudades pois foram dias muitos bons e definitivamente inquietos.
E no fim, não poderia faltar para abrilhantar o encerramento a D. Chuva, fiel companheira que visita anualmente o evento, compartilhando com pessoas e livros um espaço que segue democrático e prazeroso.


Papai Noel Mensageiro
Ely Marciniak

Por sobre os povos
tão pobres
verteu-se o veio mais nobre
de humildade e tradição
Herdamos a bela árvore
o aconchego e os presentes
e ao bom velhinho barbudo
hospedamos com carinho
alegorias, canções.


Papai Noel, tão querido,
porque não trouxeste com a neve
as renas e teu trenó
também uma farta mesa

o bom salário que alegra,
a saúde e a educação,
a moradia almejada
e a confiança no futuro?


Volta lá, Papai Noel
e dá o nosso recado:
pergunta da exploração
poluição e pobreza.

Pergunta de dominação
distribuição de riqueza,
trilateral e outros planos
de desumano poder.


Foto: César Roos
O velho andarilho, conhecido como Paulinho do Capacete, por muitos anos perambulou por Cachoeira, enviando à cidade todos os dias o seu recado do quanto a injustiça reina entre nós ...


Pergunta, meu bom velhinho,
aos "homens de boa vontade"
que enquanto pregam amor

pregam também na cruz
seus miseráveis irmãos.



Patrona Ely acompanhada da também Poeta do Vale Neicla


Henrique Witeck apresentando-se no palco com seu grupo


Augusto de Lima e Júlio César Caspani na sessão de autógrafos


Poeta do Vale Rejane e sua filha


Poetas do Vale Jorge Correa e Célia Maciel

Abençoadas sejam as pessoas que iluminam
Nossas vidas com intenso brilho no olhar,
Os que têm calma, força e esperança
Abençoados sejam os puros,
De alma grande,
Sinceros,
De amor salutar.



Benção, Tiago Menezes de Vargas

Foto: professora Maria Helena Stracke, do Atelier Livre Municipal e seus pupilos



Felicidade
É caminhar no mato numa tarde quente
Molhar os pés
Atravessar uma pinguela banguela

Caminho da Felicidade, Jorge Ritter


Foto: da esquerda para a direita: Liselotte Klix, Jussara Ortiz, diretora da Biblioteca Pública João Minssen e a Patrona da Feira, D. Ely


A Poeta do Vale Camila, de jeans

jeans
surrado
simples
corte reto
sem segredo
como flor do mato
folha seca
força da terra
marca a linha litorânea
e me veste de contornos.

Velho Jeans, Zaira Cantarelli



Eu cruzava toda a cidade,
Tu sabes, fazendo fogueiras
As praças são testemunhas,
És o lastro de minha existência.


Contarei como foi, Diogo Lindenmaier, o Bagual


Eta minuano desigual
Que fica de tocaia atalhando invernadas
Prejudicando a engorda da boiada
Mas meu Patrão não me deixa mal
E nesta oração apelativa
A Nossa Senhora paixão contemplativa
Peço o amor de mãe incondicional


Oração contemplativa, Henrique Freitas

Cleiton e Henrique


Admiro os santos
Os loucos
E os poetas.
Os santos ...
Porque são loucos ...
Os loucos ...
Porque são santos.
E os poetas
Porque entendem
Muito bem
Os outros dois.


Inverossímil, Liane Korberg


Ah, se eu fosse presidente
daria ao povo o canto do galo
no alto de sua dignidade
e do pássaro o voo
de sua liberdade
para construir seu ninho
sem o ônus de sua canção


Se eu fosse presidente, Liselotte Klix


Uma das inconveniências da vida
é ser transmitida ao vivo,
não podendo refazer nenhuma cena! ...


Viver, Madalena Alverne Medeiros Silva
(Madalena aparece à esquerda e está acompanhada de Liane Korberg)



Perderá o livro o seu espaço
para a tecnologia?
Com todo o avanço
não há quem goste
do pão caseiro?


O livro, Magali Vidal Domingues

Magali


Fechou o tempo no céu
Fechou tempo tempo
Campo verde, campo inço
Campo campo
Campo árvore
Campo vida
Estrada vida
Dolorida


A Estrada, Renate Elisabeth S. Aguiar


Em meu ventre já eras palavras,
pontos de exclamação e poemas!

Para meu filho Douglas, Neila Santos



Eu minto, mas minha mão não mente
Eu finjo, mas o meu verso não é falso


Não me julguem por fora, Rejane Savegnago


O vaso desta violeta agonizante
Atingiu-o a peteca do menino,
De um chofre deveras insignificante
Que ninguém vaticinaria tal destino.


O Vaso, de Frederico Eduardo Wollmann
FOTO: da esquerda para a direita, D. Maria, mãe da Magali Vidal Domingues e avó da Gabriela, D. Gilda Lermen, D. Sara Claveaux Jardim, D. Isolda Zinn, o vaso, e o dono dele atingido pela peteca, Seu Frederico.


Quando foi a última vez que chorei
Foi num filme
Num casamento
Ou simplesmente por sentir
A vida de uma maneira triste.


Viver, Fernanda de Azevedo Crespo



Nunca mais
quisera acordar!
Não sentindo a tristeza desse mundo
e ao infinito
pela esfera
voar ... voar ... voar.


Quero sonhar, Ester Escobar



nas sombras da noite,
entrelaçados de desejos,
nas carícias dos beijos,
no silêncio dos porquês,
somos apenas entrega,
sem medo do adeus ...


A sombra do pecado, Clara Costa


Ei, menino que corre as calçadas em busca de mãos,
Sossegue menino, pare com este desatino, senta um pouco,
descansa desta correria, pareces passarinho que perdeu a mãe
Ei, menino, agora mais calmo, conta pra mim do porquê
deste teu jeito assim.


Menino, de Luís Antônio Silva Dias, Tonho


Por que procurá-la no mundo
se ela precisa surgir primeiro
dentro de nós?

Paz, de Gabriela Vidal Domingues


Cleiton e Gabriela



Quem somos nós
Seres abençoados ou elucubrados
Arcanos malditos?
Ou quem sabe ...
A fina trama
Dos infinitos desatinos.


Enigmático, de Félix Korberg


Sonhei com um mundo diferente
Onde não existiam correrias
Onde guerras eram somente de travesseiros


Inverdades de Douglas Machado


O mesmo roqueiro que reclama
é o mesmo artista que te desenha
O mesmo poeta que te ama
é o mesmo homem que te odeia
O que amor esconde
Somente ódio consegue enxergar.


O amor e o ódio de Cleiton Santos


Passam as nuvens sobrejacentes
Um frágil teto que vem tombando por todo lado.


Pôr-do-sol de Carlos Quadros



O que será o amor ...
A não ser o viés da virtude?


Vício e Virtude de Camila Rosa Matos



Somos todos sonhos
uma realidade discreta,
Cada um em sua forma poeta.


Portas abertas de Bedermino Betat Leite


Andamos de um lado para o outro
Procurando em vão nos encontrar
Pois como acharemos alguma coisa
Se não sabemos o que encontrar ...
A Nau dos Insensatos!


Almiro A. Martins da Silva

Foto: poetas Jorge Corrêa e Douglas Machado (sentado)


E uma vez na distância, sentimos saudade
Então deixamos o orgulho de lado
E perdoamos quem amamos de verdade


Atos e fatos de uma separação de Adroaldo Borba da Silva




Última foto do grupo presente por ocasião do encerramento da Feira do Livro 2009

O livro pode ser adquirido na Livraria São Paulo ou no Museu Municipal -Patrono Edyr Lima.