Orgulho!

Orgulho!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DAVI"S" & GOLIAS

"A cultura do capitalismo seculariza tudo o que encontra pela frente e pode transformar muita coisa em mercadoria, inclusive signos, símbolos, emblemas, fetiches. Tudo se seculariza, instrumentaliza, desencanta. Essa é uma exigência da racionalização formal, pragmática, definida em termos de fins e meios objetivos imediatos".
Fonte: Introdução à Sociologia de Pérsio Santos de Oliveira.

SECULARIZAR: o capitalismo reduz TUDO às leis de MERCADO.
"INCLUSIVE um dos mais belos recantos de Cachoeira, junto ao SÍMBOLO Igreja Santo Antônio".
RESA


JORNAL DO POVO, 08 e 09 DE DEZEMBRO DE 2010

OBRAS DO BISPÃO COMEÇAM SOB PROTESTO




Fiéis da Santo Antônio são contra a obra, pois temem abalo à estrutura da igreja

PATRÍCIA LOSS (Fotos e Texto)

Começou ontem a terraplenagem da parte dos fundos da área da Igreja Santo Antônio, onde será construído um condomínio de 24 apartamentos, prédio chamado popularmente de Bispão. Mas o início das obras, que era para ser comemorado, acabou sendo marcado pelo protesto de oito fiéis da Santo Antônio. Liderados por Itassusa Avena, eles disseram representar em torno de 90% da comunidade da igreja que seria contrária à obra. A manifestação foi silenciosa e contou apenas com lamentações e colocações de faixas com expressões “Espigão, não” e “Vão terminar com a casa de formação” no muro da Santo Antônio.


A principal queixa dos católicos que protestaram ontem era quanto à estrutura do templo da Santo Antônio. “Os caminhões e máquinas que estão transitando por aqui podem abalar a igreja, que tem mais de 70 anos e recentemente foi restaurada”, destaca Itassusa. Outra preocupação é com a casa de formação da paróquia, que ficará a cerca de seis metros do condomínio. “Este imóvel é usado para retiro, encontros e meditação. De que forma se poderá ter concentração ao lado de um prédio com mais de 100 moradores?”, questiona.



ÁRVORES - Itassusa Avena lamenta ainda o corte de pelo menos 20 árvores para a obra, processo autorizado pelo Departamento de Vigilância Ambiental (DVA) e que foi acompanhado na manhã de ontem pelo futuro secretário municipal de Meio Ambiente, Henrique Witeck. A última cartada dos católicos para barrar a obra foi a entrega de um abaixo-assinado com mais de 2,5 mil adesões para o Ministério Público. Antes de acionar a Justiça, o grupo se reuniu com o bispo dom Irineu Wilges, mas ele não voltou atrás da decisão de erguer o condomínio na área dos fundos da Santo Antônio.


O NÚMERO

6


Total de andares do Bispão, que terá sete pavimentos, um deles a cobertura, com quatro apartamentos. No térreo funcionará a recepção e os acessos aos elevadores. As garagens serão no subsolo. O residencial será gradeado e com portão eletrônico.

Oito apartamentos negociados

Dos 24 apartamentos do Condomínio Renascença, conhecido popularmente por Bispão, oito já estão reservados e em fase de efetivação de contratos, o que viabiliza o início das obras. A preparação da área deverá se estender até o final do ano. No início de 2011 o prédio deverá começar a ser erguido pela Construtora Líder.
Os apartamentos serão construídos em terreno da Mitra Diocesana na Avenida Presidente Vargas, ao lado da Igreja Santo Antônio. A permuta da área já está assinada e, em troca do terreno, a Igreja Católica receberá um apartamento e três garagens, o correspondente a 7% do empreendimento, orçado em R$ 4,5 milhões.
A obra deverá ser concluída em dois anos e meio e os apartamentos podem ser financiados diretamente pela Líder. Além da construtora, a Imobiliária Rodrigues está negociando os imóveis. A venda é na planta e os apartamentos serão padrão, com dois dormitórios, dois banheiros e demais dependências, variando entre 80 e 90 metros quadrados cada.

Obra é consenso dos padres

O ecônomo da Mitra Diocesana, o padre Edson Pereira, afirma que a construção dos apartamentos foi consenso entre os padres de Cachoeira do Sul. “O bispo dom Irineu Wilges tinha autonomia para tomar a decisão sozinho, mas ele optou por consultar os padres antes de iniciar as tratativas”, ressalta. O padre Edson acrescenta que a igreja fez uma reunião de esclarecimento aos fieis, onde foi afirmado pelos engenheiros da obra que a estrutura da Igreja Santo Antônio não sofreria danos.
O padre Edson estava em Santa Maria ontem e estranhou a manifestação dos católicos contrários à obra. “Todos foram convidados para o encontro de tira-dúvidas sobre o projeto”, acrescenta. O ecônomo da Mitra frisou que a construção está tendo todos os encaminhamentos legais, inclusive com autorização da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para a derrubada das árvores. “Há um contrato firmado entre a Mitra Diocesana e a Construtora Líder”, observa o padre, reiterando que a obra vai sair.



Como era antes da derrubada das árvores
Foto: 24 de agosto de 2010
Renate Aguiar


Não tenho religião porém leio a Bíblia, não sou marxista, porém sou fã e leio Marx.[RESA]
A Bíblia continua cada vez mais atual. [Anna Luise Schmidt Chagas, 23 de agosto de 1992]

A verdadeira riqueza
Mateus 6:19-21

- Não ajuntem riquezas neste mundo onde as traças e a ferrugem destróem, e onde os ladrões arrombam e roubam. A contrário, ajuntem riquezas no céu*, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las e os ladrões não podem arrombar e roubá-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.

*Cada um de nós pensa o seu céu. O céu não está neste empreendimento especulador que profana um lugar sagrado que deveria TER SIDO MANTIDO ÍNTEGRO, ORIGINAL. O céu ESTAVA neste pequeno bosque, nas cercanias, na fé e ESTÁ na esperança dos católicos que frequentam o templo. ESTAVA entre os fiéis que deliciavam-se com o recanto verde povoado de pássaros, formigas, borboletas, larvas.
Francisco de Assis TAMBÉM NÃO APROVOU a venda dos terrenos (obtidos POR DOAÇÃO).

Renate

A REVOLUÇÃO DE 1930


O Brasil após 1930: mudança histórica e grupos sociais

Icaro Bittencourt*

Os 80 anos da chamada “Revolução de 30” têm inspirado muitos textos e reflexões pelo Brasil afora. Dentre as inúmeras problemáticas que podem ser discutidas a partir do tema, uma me interessa em especial: a relação entre mudança histórica e grupos sociais no Brasil.
O fim da Primeira República oligárquica, hegemonizada pelas elites paulista e mineira, e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder no início da década de 1930 do século passado pode ser considerado o primeiro grande momento de mudança na história republicana brasileira. A partir daí, alterações significativas ocorreram na estrutura política, social, econômica e cultural brasileira, com a modernização e industrialização do país, a regulamentação das relações de trabalho urbanas, a formação de uma identidade nacional e a tentativa de construção de uma sociedade corporativista.
Essas mudanças, no entanto, são interpretadas muitas vezes como uma iniciativa apenas das elites e dos grupos políticos atrelados ao Estado e que, apesar das alterações significativas provocadas na sociedade brasileira após o Movimento de 30, aquelas transformações teriam apenas reconfigurado em outras bases a dominação das elites brasileiras sobre a classe trabalhadora. Assim, ficou famosa a comparação desse processo histórico com as palavras do aristocrata italiano do livro de Tomasi di Lampedusa, O Leopardo, eternizadas no cinema com o belíssimo filme de Luchino Visconti: “É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão”.

Tematizando o Risorgimento italiano no século XIX, essa expressão do conservadorismo em metamorfose virou o slogan interpretativo de diversos contextos históricos nos quais os grupos dirigentes resolveram promover algumas mudanças sociais “antes que o povo as fizesse”.
Apesar desta análise ser pertinente à primeira vista, uma pergunta importante deve ser feita: esta suposta ausência de participação dos grupos e movimentos sociais nas mudanças históricas no Brasil seria uma característica concreta de nossa realidade ou essa interpretação é fruto de discursos de poder que tentam perpetuar a idéia de que o Estado brasileiro e as elites que o controlam são os demiurgos da história nacional?
A resposta para essa pergunta não é simples e muitas versões sobre ela preocuparam historiadores e cientistas sociais. Isso porque as duas variáveis da pergunta estão intrinsecamente relacionadas. Apesar das lutas históricas dos trabalhadores para garantirem seus direitos frente à exploração do trabalho (motivação principal da legislação trabalhista), os canais de participação popular sofreram ao longo da história brasileira um processo de criminalização intransigente, incluindo aí o próprio governo Vargas que prometia oficialmente transformar a “questão social” em “caso de política” e não de polícia.
Assim, a tradição repressora aos movimentos sociais somada ao caráter elitista das interpretações da história brasileira forjou uma “história sem povo” e, pior do que isso, uma história sem grupos sociais distintos disputando projetos de sociedade, perpetuando uma visão da sociedade brasileira (com claro viés paternalista) como passiva e dominada pelo Estado, na qual a população e seus diferentes grupos sociais formadores não teriam condições de propor mudanças concretas para o país e, menos ainda, de realizá-las. Mesmo que a atuação de sindicatos, movimentos sociais e diversos grupos atestem a implausibilidade dessa “história sem povo e sem classes sociais”, este discurso ainda alimenta uma boa parcela da desmobilização política que caracteriza parte da sociedade brasileira.

Mas desde pelo menos o início da década de 1980 com o livro “O silêncio dos vencidos” de Edgard de Decca, que mostrou os projetos políticos alternativos ao Movimento de 30 e como a interpretação histórica sobre esse período ocultou as divergências entre eles (colocando o grupo de Vargas como a única solução para os problemas do país) devemos ficar atentos a essa prática dos grupos políticos brasileiros de negar legitimidade às propostas dos adversários (como essa eleição de 2010 deixou evidente) e, mais do que isso, à prática de negar aos grupos sociais a autonomia necessária para a formulação de propostas e para a tomada de ações que tenham por objetivo a mudança concreta da realidade social do país.

Assim, o convite que faço é que a reflexão sobre os processos de mudança histórica no Brasil trabalhem no sentido de clarificar os diferentes projetos de sociedade em disputa, pois eles são a matéria-prima na construção de uma política no país que supere essa democracia sem adjetivos, na qual a participação popular restringe-se quase que exclusivamente ao processo eleitoral. Ou seja, democracia sem movimentos sociais e política sem disputas de projetos de sociedade não são mais do que formalidades do processo de dominação social.


* Professor de História

EM CACHOEIRA SUL:

Revolução de 1930

Transcrito por João Carlos Mór, da Revista Centenário de CACHOEIRA DO SUL, editada em 1959 pelo jornalista Humberto Attílio Guidugli
Banco de Dados do Museu Municipal

"Como deu-se o levante em Cachoeira
Mais ou menos às 5 h da tarde de 3 de outubro de 1930, irrompeu pela rua 7, fazendo a vanguarda, um carro trazendo o tenente Ciro Carvalho de Abreu que ostentava um lenço encarnado ao pescoço, sendo aclamado por grande multidão, manifestação essa que mais se aceantuava com as explosões de vivas a causa da revolução.
O povo em massa se encaminha para os quartéis do exército, onde, no quartel do 3º G.I.A.P., já se encontravam os majores Argemiro Dornelles (pai de Luiz Lopes Dornelles, oficial da aeronáutica quem em 1942 constituiu o 1º Grupo de Caça da FAB que sob o comando do também cachoeirense major Nero Moura, lutou e morreu na segunda grande guerra em que o Brasil participou na Europa. O grifo é da equipe do Museu Municipal) e Graciliano Fontoura acompanhados dos tenentes Henrique e Orlando Geisel, Gilberto Marinho, Mucio Sampaio Ribeiro e Antonio Vasconcelos, que assestaram quatro possantes canhões contra o quartel do 3º Batalhão de Engenharia.
Todas as janelas daquele quartel estavam minadas de soldados revoltosos, de armas embaladas, prontos para ordem de fogo.
Expedido um convite à força legalista para que apoiasse imediatameante o movimento ou então entregasse o quartel, obtiveram os revolucionários a seguinte resposta:
"Os oficiais rendem-se"!
Com esta decisão o povo que se achava nos quartéis dos 3º G.I.A.P, prorompeu em vivas à causa da revolução, enquanto eram presos os oficiais da legalidade.
Após, foram recolhidos presos à Intendência Municipal, os seguintes oficiais, sob a vigilância de uma força da brigada:
Coronéis Luiz Mariano de Andrada, comandante do 3° B.E. e Felício Lima, comandante do 3º G.I.A.P; capitães Helio Cotta Gonzales, Alberto Segggiaro, Abd Pinto e Ângelo Notare; tenentes Guarani Frota, Liberato da Cunha Friedrich, José Valença, Nilo Cruz, Hilton Tavares, Mário Campos, Corinto Castanho, Ernani Mazzini, J. Falkenbach, João Rodrigues e José Elias Ajuz.
Aderiram em seguida ao movimento os capitães Helio, Abd e Notare e os tenentes Liberato Hilton, Corinto e Falkenbach.
Momentos depois, foram ocupados o Telégrafo e a Telefônica, que se efetivou com toda a ordem.
Sobre o desenrolar de todos os acontecimentos, o grande tribuno Dr. João Neves da Fontoura, dava por intermédio de conferências telefônicas com os próceros revolucionários, os detalhes da causa vitoriosa em sua terra natal.
Em nome do governo provisório da República, os drs. Orlando Carlos e Glicério Alves, retiraram-se da sucursal do Banco do Brasil toda a importância em caixa e recolhendo-à filial do Banco da Província.
Alguns dias depois, foi organizada uma coluna de quase 1.000 homens que, sob o comando do major Dorneles, embarcou em composições da Estrada de Ferro, com destino ao front."




VOLUNTÁRIOS DE CACHOEIRA


Orlando da Cunha Carlos, Glicério Alves e João Neves da Fontoura

Em 12 de outubro de 1930, partia a corporação de "Voluntários de Cachoeira", rumo ao front das operações em oposição ao Governo Legalista, contra o qual se insurgiam diversos estados, inclusive o nosso.
Nesse dia, a população acorria à gare da Estação da Viação Férrea para manifestar também a sua admiração ao futuro chefe da Nação, Getúlio Vargas, que se fazia acompanhar por altas personalidades, das quais se destacavam o general Flores da Cunha e João Neves da Fontoura, um dos grandes líderes do movimento revolucionário.
No momento em que o comboio deu o sinal de partida, a multidão ovaciounou os nomes de Getúlio Vargas, João Pessoa, presidente da Paraíba, covardemente assassinado, Flôres da Cunha, Osvaldo Aranha, João Neves e outros próceres revolucionários, seguindo-se estrondosas aclamações à guapa corporação dos Voluntários, que era constituída, além de outras pessoas, por:

* João Neves da Fontoura
* Glicério Alves
* Milan Krás
* Henrique M. de Barros
* Major Carlos Gama
* Capitão Clemente Cunha
* Tenente Ari Ghignatti
* Diamantino Carvalho
* Torquato Ferrari
* Draceli Costa
* Carlos Souza
* Amâncio Ramos

Aquarela. Ag. 60
Fonte: Banco de Dados do Museu Municipal


AOS QUE PARTEM
Mensagem de Aurélio Porto aos revolucionários de Cachoeira de 1930

Conjugando as energias nativas da raça, ressurge o Rio Grande dos tempos heróicos.
Crepitante, as chamas dos entusiasmos se propaga, e já, transformada em comunhão formidável, mantém o fogo perene do civismo gaúcho.
Exemplo sem par,superior mesmo aos dos grandes dias da Pátria, estamos insculpindo em páginas redivivas da história nacional. Vivemos horas que ficarão. Ficarão na sua vibração incomparável, cristalizadas na alma emocional do nosso povo.
As hostes que se levantam, galvanizaadas pelas forças conscientes do dever supremo, os que passam pelas ruas, rumo da vitória, os que partem cheios de esperança, os que ficam, aureolados pela emoção, esse estranho vaivém - simbólico avatar de uma vida nova - tudo evidencia que somos um povo que soube manter ileso o patrimônio legado por seus avós.
Segui! Fronte erguida como sói ser a dos fortes. Combatei o bom combaate da verdade e da causa nacional. Coroa-vos a vitória, espera-vos a palma triunfal, de bronze imperecível, que as gerações futuras, abençoando-vos, colocarão sobre as vossas cabeças.
Ide! Os que ficam, milhares de corações, numa cadeia fraternal de vontades, acompanhar-vos-ão, passo a passo, etapa a etapa, pelo caminho da glória, aberto por vós ao Rio Grande.
E quando lutardes, entre os estampidos alucinantes da metralha, tenho certeza de que sobre os vossos ânimos, erguendo-os, fortalecendo-os, ecoará a voz longínqua do pago, nas doces harmonias sempre inéditas, feitas de todas as orações dos que por vós rogam a Deus, dos incitamentos dos que escondem as lágrimas em brados de entusiasmo, e dos aplausos glorificados dos vossos irmãos que ficam.
Gaúchos, honrai o Rio Grande!


Fonte de Dados do Museu Municipal

terça-feira, 30 de novembro de 2010

FESTA NACIONAL DO TRIGO - 20 a 22 DE NOVEMBRO DE 1956 - I PARTE

Há alguns dias comentei sobre uma ruína constrangedora que está localizada bem no centro da cidade, "quase" em frente ao Banrisul e que foi um dia o Hotel do Comércio.
Em 1956 esse hotel hospedou nada mais, nada menos do que o vice-presidente da República, Jango e o senador Assis Chateaubriand por ocasião da vinda deles para a Festa Nacional do Trigo que aconteceu no mês de novembro, entre os dias 20 a 22. Nosso presidente da época, JK, foi hóspede do prefeito Arnoldo Paulo Fuerstenau. Estive hoje no Museu Municipal e a pesquisadora Elisabete Farias alcançou-me para pesquisa precioso material sobre este momento cachoeirense. Na segunda parte contarei um pouco da festa e também haverá mais fotos.



Foto: Festa Nacional do Trigo
Cortesia Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima
Doação da foto: Janice Bacchin Schneider em 16 de julho de 1996

A partir da esquerda:
Juscelino Kubitschek, Presidente da República
Ney Massgnan, Rainha do Trigo de Santa Catarina
João Goulart, vice-presidente da República
Irany Banchet, Rainha da Festa Nacional do Trigo
Janice Bacchin, princesa
Assis Chateaubriand, senador








Páginas escaneadas: Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima
Revista "O Cruzeiro" de 17 de novembro de 1956

CABO TOCO - BREVE BIOGRAFIA


Imagem escaneada: recorte de jornal emprestado pela amiga de Cabo Toco, professora Vilma Zanini.
Título da matéria: Brigada perde sua heroína
Jornal do Povo, 22 de outubro de 1989


Olmira Leal de Oliveira, conhecida como "Cabo Toco", nasceu no dia 18 de junho de 1902 em Caçapava do Sul, filha de Francisco José Oliveira e ...... (?)* Coelho Leal de Oliveira.
* Encontrei dois nomes diferentes.
Na década de 20, integrou as fileiras da Brigada Militar, como combatente e enfermeira do 1º Regimento de Cavalaria, hoje 1º Regimento de Polícia Montada, sediado em Santa Maria. Participou dos movimentos revolucionários de 1923, 1924 e 1926. Ela incorporou em 1923 e só deixou a Brigada em 1932.
Olmira era natural da localidade de Camaquã, em Caçapava do Sul.
Em 1951, casou-se com Antônio Martins da Silva, mas não teve filhos.
Faleceu em 21 de outubro de 1989 com 87 anos.
Recebia até então uma pensão vitalícia especial, correspondente ao cargo de 2º sargento da Brigada Militar concedida havia dez anos por parte do Governo do estado
Sua figura ficou conhecida em 1987, quando a intérprete Fátima Gimenez venceu a V Vigília do Canto Gaúcho contando sua história na música "Cabo Toco".
Ela também é patrona da 1ª turma de PMs femininas do estado. Ijuí também homenageou Cabo Toco com o seu nome a uma rua da cidade bem como ao CTG do 9º Batalhão da Polícia Militar da mesma cidade (Jornal do Povo, 18 de agosto de 1991).
O Cabo Toco, apesar de atos heróicos dentro do 13º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar durante as revoluções de 1923 e 1924, depois de passar por várias batalhas com destaque de bravura, em 1932 deixou a corporação. Apesar de ter sido considerada heroína, Olmira Leal de Oliveira só conseguiu receber um soldo do Governo do estado depois que Nilo Brum e Heleno Gimenez venceram a V Vigília do Canto Gaúcho com uma composição em sua homenagem. Mesmo assim, ela morreu em 1989 morando em um barraco na zona periférica da cidade.



Olmira Leal, a Cabo Toco e Vilma Zanini em 1985 do Seminário 70 anos de Antônio Chimango, Livro de Ramiro Barcelos. Esta foto está publicada na Página do Passado do Jornal do Povo e também na matéria intitulada "Cabo Toco combateu maragatos em 1923", no jornal Zero Hora em 19 de setembro de 1997.

À medida que conseguir mais detalhes, vou acrescentando. Publicarei brevemente artigo escrito por Vilma no jornal O Correio bem como vasta matéria publicada no jornal Zero Hora além do que for possível ir pesquisando e encontrando.



Jornal do Povo, 22 de outubro de 1989


Matéria jornalística: não foi identificado (ainda) o jornal

A HIPOCRISIA CACHOEIRENSE
Observar ou discutir a cultura dominante em Cachoeira do Sul tem sido uma constante de "papo furado". Pouco, aliás nada na água estagnada, tem saído do verbal. Acostumados a ver a "valorização do recurso humano cachoeirense" na solidão da espera, aplaudimos o abandono. Um exemplo vivo, "Cabo Toco" vencendo a Vigília em 1987, aplaudidíssima, com presença da personagem que absorveu a atenção da cidade. Bandeira de alguns políticos na época, buscou-se o "amparo" para a cachoeirense mais popular, naqueles dias, orgulho da terra do arroz. Da poesia para a realidade, o tempo vai passando e continua o mofo do desrespeito à vida, numa cidade de memória agonizante. Não é difícil encontrarmos na noite cachoeirense, pelas ruas do abandono, a "heroína Cabo Toco", como é popularmente conhecida Olmira Leal de Oliveira, a passos lentos e cansada, solitária, levando consigo a história que o povo desconhece, esquecida pela hospitalidade da falsa capital do arroz. Na madrugada de terça-feira, às 2h, encontrei-a na avenida Brasil, carregando no corpo por mais de 15 minutos, o tempo que levou para percorrer uma quadra - a do Supermercado Tischler até o Bar Azul, o peso de uma existência árdua. Uma verdade ante a excessiva hipocrisia cachoeirense. Eu questiono: "Será isso, desrespeito ao ser humano ou ignorância da sociedade?"
Roberto Cardoso

Jornal do Povo, 26 de fevereiro de 1989
Banco de Dados do Museu Municipal - Patrono Edyr Lima


Mais sobre o assunto:
Matéria sobre o curta-metragem do colégio Roque Gonçalves realizado pelo grupo de teatro da escola. Jornal do Povo, 18 de março de 2005.

O CABO QUE NÃO ERA MACHO


Foto: Jornal do Povo, Museu resgata cachoeirenses históricas, 01/02 de março de 2003

A AMIGA VILMA ZANINI ESCREVE SOBRE CABO TOCO

O CABO QUE NÃO ERA MACHO

A televisão funciona como meio cultural de longo alcance, para uma massa populacional que não teve acesso à cultura escolar. Está permitindo a milhões de brasileiros o conhecimento de um pouco da nossa sofrida e labutante história, através da série "Grande Sertão Veredas".
No universo mágico do escritor regionalista Guimarães Rosa, o bem e o mal representam o sonho de amor à liberdade de centenas de mineiros humildes que se confrontam em uma época do início do século, quando o país era envolvido por ideias federalistas e pela força do poder das províncias que amparadas pelos exércitos e jagunços combatiam as tropas do governo.
Um dos elementos singulares que me chamou a atenção é a figura de uma mulher, Diadorim, que anula sua postura de mulher e vira Reinaldo para conseguir proteger e guardar seus valores espirituais.
Não recordo o nome, mas já li, de um grande escritor, que disse: "Muitas vezes a vida imita a ficção ou a ficção se faz realidade".
Recentemente, o nosso Museu Cultural ofereceu a uma seleta equipe de professores um riquíssimo e histórico seminário sobre as Revoluções Gaúchas.
Descobri fatos sobre Borges de Medeiros, Ramiro Barcelos e tantos homens cachoeirenses, que colocaram suas ideias e provocaram revoluções para o Rio Grande do Sul tivesse vez e voz no cenário político nacional.
Conversando com minha ex-aluna Ione Sanmartin, lhe contei que conhecia uma senhora de 83 anos, qua participara das Revoluções de 1923, 24, 26 e 32, e é conhecida da população da Zona Alta como "Cabo Toco". Foi então, que encontrei Dona Olmira Leal de Oliveira morando sozinha em um casebre sem água e sem luz, na Vila Ponche Verde. No passado Dona Olmira, assumiu o lugar de voluntária no Regimento da Brigada Militar exercendo a função de enfermeira e lutando com despreendimento e bravura, esquecendo-se das limitações que a sociedade de então impunha ao seu sexo, não ser macho. Mesmo assim conquistou o posto de cabo e nos anais da história está registrada como Cabo Olmiro, encobrindo suas situação de mulher.
Uma equipe de professores que pesquisa sobre as revoluções deseja entrevistar e gravar depoimentos sobre a vida da D. Olmira, no contexto das revoluções gaúchas. Porém, ela está totalmente surda.
Seria bom conseguir um aparelho para surdos, com isto ela se sentiria mais segura em responder as perguntas. Quando eu a encontrei, ela estava lendo o Jornal do Povo, o artigo da professora Maria Eunice, "Antonio Chimango" e foi logo dizendo: "Vilma, sabes, Chimango era o Borges. Eu lhe perguntei como ela conseguia o jornal. Respondeu-me que três vezes por semana vai buscá-lo na redação. Alguém lhe deu uma assinatura de presente por dez anos. Agradeço aos médicos Romeu Scarparo, Zélia, as enfermeiras que trabalham na enfermaria e a Irmã Teófila, pois durante cinco dias cuidaram de Dona Olmira, que foi afetada por um ataque de asma.


Publicado por Vilma de Oliveira Zanini
1985
Jornal não identificado (se Jornal do Povo ou O Correio, ambos de Cachoeira do Sul, RS)

CABO TOCO É ADMIRADA PELOS CACHOEIRENSES

JORNAL DO POVO
DO LEITOR
Edição de sábado à quarta-feira, 05 de fevereiro de 2005 à 09 de fevereiro de 2005

CABO TOCO I

Concordo que Cabo Toco foi popularizada com a música na Vigília (Página 3, JP de 3/2). Antes disso, em 1986, ela foi reconhecida como figura histórica no Seminário Antonio Chimango, promoção do Museu Municipal, apresentada pela professora Vilma Zanini, maior conhecedora, hoje, da vida histórica e pessoal de Olmira Leal, a Cabo Toco.
Ione Sanmartin Carlos

OBS:
1º/12/2010: Ione atualmente é diretora do Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul.

Cabo Toco II

Cabo Toco não é cachoeirense, é caçapavana. Seus restos mortais estão em Caçapava. Cabo Toco ficou conhecida em Cachoeira do Sul em 1985 por ocasião do seminário sobre as revoluções do Rio Grande do Sul, onde foram abordados os 70 anos de Antonio Chimango, o apelido de Antonio Borges de Medeiros. Fui sua professora no primeiro grau do Colégio Imaculada Conceição, em 1958, mas a conheço desde 1947. O senhor Paulo Salzano, diretor do Jornal do Povo, me franqueou espaço para escrever sobre ela. Eu escrevi “O cabo que não era macho”. Então a Brigada Militar me procurou e a vida dela melhorou, e muito.

Vilma Zanini
OBS:
1º/12/2010: Vilma é professora aposentada e foi amiga de Olmira, a Cabo Toco desde a tenra idade de 10 anos.


JORNAL DO POVO
DO LEITOR
22 de março de 2005

CABO TOCO

Na realidade, a história de Cabo Toco em Cachoeira veio à tona por obra da professora Vilma Zanini e pelas mãos do então repórter do JP Mauro Ulrich, que foi retratar a vida de uma velha ranzinza que amedrontava os moradores da Vila Ponche Verde ("Heroína Cabo Toco revive pelo talento dos cachoeirenses", JP de 18/3). A música interpretada por Fátima Gimenez foi uma conseqüência.
Silvestre Silva Santos
Gravataí (RS)

Tive a oportunidade de conhecer a veneranda senhora, que certamente tinha seus dias povoados pela lembrança de tempos memoráveis, onde a guerra e a luta se faziam por interesses coletivos e idealistas, muito diferentes dos tempos atuais, que de tão modernos já andam sendo pós.
Sandra Silva
Alegrete (RS)


FÓRUM DO LEITOR
JORNAL DO POVO
22 de março de 2005

CABO TOCO

Cabo Toco, ou Olmira Leal, até parecem duas pessoas diferentes, mas não são. Por muitos anos viveu como miserável, doente, passando necessidades, em Cachoeira e sem ser reconhecida por ninguém.
Viveu a penúria e revoltada como todo combatente, (velha ranzinza), palavra mal empregada para quem defendeu nosso chão com muita fibra e coragem deixando muitos homens envergonhados.
Virou heroína às vésperas de sua morte e estão esquecendo do delegado Ivo Bairros de Brum que escreveu sua história e que foi contada por Fátima Gimez.
Foi graduada ao posto de 3º SGT pelo governador Pedro Simon e logo em seguida faleceu. Como muitos outros, a homenagem veio tarde e o reconhecimento também.
Vamos ter maior visão com os filhos ilustres, reconhecer antes ou talvez confeccionar um busto para ser colocado no centro da cidade em respeito a Cabo Toco, que mereceu muito mais e não teve quase nada.
Carlos Alberto Saraiva Rodrigues - Vera Cruz/RS (Brasil)


09 e 10 de janeiro de 2010
Olho Mágico, Jornal do Povo





Legal!!!!!!!!
Já comentei sobre a Cabo Toco, faz parte do meu imaginário da infância, ela morava na Ponche Verde, suas histórias nos encantavam.
Jorge Ritter - Salvador/BA (Brasil)

Lembro da Cabo Toco, no início dos anos 60, andando na sua carroça e usando roupas pretas.
Abraços
Lindomar



JP2
CAVALGADA PARA CABO TOCO
Cabo Toco: viveu em Cachoeira e agora será homenageada em Nova Prata
ROBSON NEVES

16 DE SETEMBRO DE 2009

Na Revolução de 1923, os maragatos, ostentando o tradicional lenço vermelho da Aliança Libertadora, tentavam derrubar o presidente do Estado, Antônio Augusto Borges de Medeiros, acusado de se reeleger mediante fraude eleitoral. Do lado de Borges, para a sua defesa, estavam os chimangos do Partido Republicano Rio Grandense. Sem enfermeira para cuidar da tropa, ao passar por Caçapava do Sul o coronel João Vargas convidou a jovem Olmira Leal de Oliveira, 21 anos, para acompanhar os chimangos. Para servir o Governo, ela aceitou o convite e virou Cabo Toco, entrando para a história devido atuar como enfermeira e combatente nos conflitos de 1923. Depois ela participou da revolução contra a República Velha, de 1924 a 1926.

Depois das batalhas, Cabo Toco veio morar em Cachoeira do Sul, onde levava uma vida simples no Bairro Ponche Verde, fazendo fretes com sua carroça para poder sobreviver. Cabo Toco ficou conhecida apenas em 1987, ao ser agraciada com uma música em sua homenagem que venceu a Vigília do Canto Gaúcho. Dois anos depois, viúva e sem filhos, ela faleceu no Hospital de Caridade e Beneficência vítima de doença pulmonar. Foi sepultada em Caçapava. Após sua história ser tornada pública na Vigília, ela foi escolhida para ser patrona da primeira turma de mulheres da Brigada Militar.

LEMBRANÇA - No mês que vem, toda esta história será relembrada por cavalarianos do Piquete Cabo Toco, de Nova Prata, durante a segunda cavalgada para homenagear a patrona. Criado em 2005, o piquete coordenado pela assessora administrativa Zeli Anderle, 42, pretende reunir 100 mulheres na cavalgada, que ainda não teve sua data definida. Ela enfatiza que a escolha por Cabo Toco para batizar o grupo funcionou como homenagem a uma mulher muito importante para a história gaúcha. “Em 2005, quando fundamos o piquete, fizemos uma cavalgada reunindo 52 mulheres. Este ano queremos 100”, salienta Zeli. O passeio sairá da localidade de Rio Branco, percorrendo 10 quilômetros até o centro de Nova Prata, onde na Praça da Bandeira haverá tertúlia livre durante o dia. A noite haverá jantar na Cabanha Coroado.

FÓRUM DO LEITOR
"ME CHAMAM DE CABO TOCO..."

CABO TOCO é uma personagem muito interessante da história gaúcha!!!
Seu reconhecimento na música "Cabo Toco", interpretada fenomenalmente por Fátima Gimenez, vencedora da IV Vigília em 1987 é realmente marcante na história de Cachoeira do Sul.
Tive o prazer de estar entre os músicos que tocaram esta música no show de abertura da XVII Vigília do Canto Gaúcho!!!!!!

Paulo Josué Elias Strechar - Cachoeira do Sul/RS (Brasil)

Lembrança especial

Parabéns amigo pela bela lembrança. Cabo Toco, uma história verídica e inesquecível. Um abraço.
Adão de Alves Ayres - Concórdia/SC (Brasil)

Cabo Toco

Tive o privilégio de morar perto da Cabo Toco, embora uma figura assustadora para nós crianças, claro com a ajuda dos pais: (quem fizer arte a cabo toco leva) tudo mentira, pois nos finais das tardes ajudávamos a cabo toco a desincilhar o cavalo, ai começava a nos contar histórias, sempre história da guerra, sem antes claro nos presentear com seu arroz com couve.
Jorge Ritter - Salvador/BA (Brasil)

Heroína

Eu não tive o privilégio de morar perto da casa da Cabo Toco, mas a grata satisfação de vê-la passar na rua aonde até hoje moro, no Bairro São José(nessa época ela morava no Ponche Verde). Eu, criança, já sabia dos feitos daquela velha senhora que cruzava a rua. E jamais deixei de enxergá-la com uma admiração típica de uma criança ao contemplar uma heroína.
Paulo Ribeiro Silva - Cachoeira do Sul/RS (Brasil)

domingo, 21 de novembro de 2010

UTOPIA, DEMOLIÇÃO, INVASÃO E DEGRADAÇÃO

...
"Por falta de projeto perde uma verba que poderia resolver a situação dos moradores do Beco dos Trilhos, atirados à própria sorte no meio do lixo e marginalidade".
Rodney Carvalho

Fórum do Leitor
Jornal do Povo, 18.11.2010


Na semana que passou uma matéria publicada no Jornal do Povo despertou minha especial atenção:

Política
ANO - Nº 118 - Edição de Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

HABITAÇÃO
Falta de projeto tira Cachoeira do PAC 2


Verba de R$ 4,2 milhões era para casinhas populares. “Município foi sincero demais”


Tenho acompanhado há anos o desenrolar do novelo ou "novela" Beco dos Trilhos, resultado de toda uma sucessão de equívocos: federais, estaduais e municipais.
Sem adentrar nas razões da existência deste bolsão de degradação, do ponto de vista urbanístico, o Beco existe porque outrora havia ali o antigo leito ferroviário.
Com a demolição da Estação Ferroviária acontecida em 1975, mesmo que não se reconheça explicitamente, toda a área correspondente ao leito ou quase toda, cujos trilhos haviam sido removidos, foi invadida. Quero destacar que a invasão não ocorreu somente pela população pobre.
Sem projeto, sem infra-estrutura, a toque de caixa, criou-se um problema que se agigantou e que não há semana que passe sem que de uma forma ou de outra, o Beco dos Trilhos ou Bairro Virgilino Zinn é citado em outros becos, docas, nos bares ou nas esquinas de Cachoeira do Sul. Dali brotam cenas de dignidade e indignidade.
A seguir uma foto muito antiga, de mais ou menos 70 anos atrás. Nela, a rua Aníbal Loureiro, que dá passagem ao bairro Santo Antônio ainda não existe.
Na sequência, a matéria de 2008 do fotógrafo Robispierre Giuliani, que esteve no "Beco" produzindo uma série de imagens e entre elas a da ponte seca, da qual recentemente despencou um caminhão (13 de novembro). E esta mesma ponte, em matéria preparada por uma estudante, anterior ao sinistro, foi reportagem da série REPÓRTER POR UM DIA, publicada pelo JP na data de 17 de novembro de 2010.
Fiz a analogia de três momentos, coincidência ou não.
E o problema do Bairro Virgilino Zinn persiste, como diz Rodney Carvalho, atirado à própria sorte em meio ao lixo e marginalidade.
E Cachoeira ainda deu-se ao luxo de negligenciar uma verba que poderia TER SIDO O MANÁ desta população, visto que da cartola da Prefeitura não anda saindo nenhum coelho.
Renate Aguiar



Época da foto: final da década de 30, início da década de 40.
Fonte: Jornal do Povo, 13 de janeiro de 2009


1. Igreja Matriz Santo Antônio, inaugurada em 1937.
2. Colégio Imaculada Conceição. Segundo Mirian Ritzel, o primeiro prédio da escola data de 1927.
3. Prédio construído em 1918 para sediar a firma Knorr & Eisner, posteriormente Banco do Brasil, depois agência do Banco Agrícola Mercantil e finalmente Unibanco até outubro de 2008. Tombado em 2008 (Fonte Jornal do Povo, 19/08/2010)
4. Engenho Brasil ou Roesch, desativado. Parcialmente em ruínas, parcialmente ocupado.
5. Estação Ferroviária (gare)construída em 1883 e demolida em 1975. Segundo Osni Schroeder, o modelo dela era igual ao da Estação de Santa Maria, que foi CONSERVADA.
6. Plataforma de embarque.
7. Local ainda baldio do "futuro" Engenho Progresso, depois Lojas Tumelero, hoje supermercado Superbrás.
8. Muro de proteção da Estação Ferroviária. Resta um fragmento grudado no supermercado recém inaugurado Superbrás.
9. Hoje Praça Honorato de Souza Santos.
10. Leito da Rede Ferroviária Federal.


Segundo observação da Mirian Ritzel, a rua Aníbal Loureiro ainda não aparece nesta foto. As torres da Igreja Santo Antônio estão com a cobertura provisória.

ENSAIO
Pra quê as fotos, tio?



A velha ponte seca sobre o antigo leito de trilhos.

ONEIDE TEIXEIRA

Do outro lado das lentes do fotógrafo Robispierre Giuliani reflete-se a realidade do Beco dos Trilhos. São dois mundos ilustrados por contrastes: a inocência e a pureza nos olhos da criançada, o lixo na entrada do bairro e pessoas humildes mas de bom coração que se sentem esquecidas e abandonadas em meio ao anúncio de projetos e mais projetos anunciados neste ano eleitoral e nos muitos anos que já passaram.

Onde o fotógrafo ia, as crianças corriam atrás. “Pra quê as fotos, tio? É pro jornal?” perguntavam elas. Robispierre confessa que no fundo percebeu a tristeza nos olhos de algumas delas, crescendo em situação de miséria e sofrendo com a falta de atenção e respeito a quem precisa. “Um dia as crianças irão entender o motivo das fotos”, respondeu Robis.


Fotógrafo Robispierre flagra a felicidade infantil em meio à pobreza
As crianças estão sentadas na ponte ainda em razoáveis condições nesta foto de 2008. (RESA)


Degradação ambiental ostensiva
Fotos: Robispierre Giuliani
Ensaio
Matéria: Oneide Teixeira
Título: Pra quê as fotos, tio? Fotógrafo Robispierre flagra a felicidade infantil em meio à pobreza.
Data: 14 e 15 de junho de 2008.



Foto: Taís de Oliveira Maciel
1º lugar Fotografia


Na foto pode-se observar o adiantado estado de desmanche da ponte na imagem de 2010. Tem-se mesmo a impressão que neste momento ela só suportaria pedestre e bicicleta.
Passou-se um tempo razoavelmente curto entre esta foto e a da queda dela por ocasião da passagem de um caminhão carregado de areia. (Renate Aguiar)


REPÓRTER POR UM DIA 2010
BAIRROS
Ponte do Beco dos Trilhos: soluções temporárias para um problema permanente

A ponte do Beco dos Trilhos está quebrada, com as tábuas podres e as guardas quase caindo. A Prefeitura mandou dois homens trazerem duas tábuas e colocá-las onde tinha um buraco, tapando-o, mas estas tábuas também já apodreceram. Agora, os vizinhos estão colocando outras tábuas, porque se a ponte continuar deste jeito uma criança
pode cair num buraco e sofrer um acidente. Quando a Prefeitura resolver arrumar a ponte pode ser tarde. Será que a Prefeitura não tem verba para arrumar uma ponte pequena? Ou é falta de vontade para resolver o problema?

Em época de campanha, o prefeito prometeu resolver o problema da ponte. Agora que se elegeu esqueceu da promessa de campanha? “Ele não sabe como é horrível viver num lugar de difícil acesso e muitos dependem dessa ponte para se deslocar de um lado para outro com segurança”, diz a moradora Angela Karina Moura Lacerda, que usa todo o dia a ponte para chegar à Escola Juvêncio Soares. O Beco dos Trilhos, hoje conhecido por Bairro Virgilino Zinn, de bonito só tem o nome, porque muda prefeito e os problemas continuam os mesmos, começando pela ponte.



Matéria publicada na capa do Jornal do Povo do dia 15 de novembro de 2010*

Caçamba era pesada demais para a velha estrutura de madeira da ponte do Bairro Virgilino Jayme Zinn

Carregada de areia, a caçamba do motorista Luciano Ourives, 26 anos, despencou sábado da ponte da Travessa Batista Carlos, no Beco dos Trilhos. O acidente na Batista Carlos ocorreu quando parte da velha estrutura de madeira não resistiu ao peso do caminhão e quebrou, fazendo com que o veículo tombasse. A queda foi de uma altura de cerca de cinco metros. Após despencar, a caçamba capotou uma vez e parou com as quatro rodas no chão. Ourives sofreu apenas lesões leves e foi liberado após passar por exames no Hospital de Caridade e Beneficência.

Tomei a decisão de publicar esta foto "forte" a partir da matéria do Jornal do Povo, pelo fato do motorista estar relativamente bem.

sábado, 20 de novembro de 2010

CACHOEIRA DOS TRENS



Alunos da Escola João Neves da Fontoura viajando de trem. Ano desconhecido (década de 60?)
Foto: cortesia Museu Municipal de Cachoeira do Sul Patrono Edyr Lima


CACHOEIRA DOS TRENS

Maria Fumaça,
Minuano ... Noturno
Trem de carga
Trem de ferro
Dividia a cidade
Nos trilhos
De minha adolescência

Virou esquecimento
Destino? Sina?
É soco na memória
Do meu tempo de menina


Zaira Cantarelli

domingo, 14 de novembro de 2010

"HOTEL DO COMMERCIO - ESTABELECIMENTO DE PRIMEIRA ORDEM DO GENERO"

"LOCALISADO NO PONTO MAIS ACESSÍVEL DA CIDADE, DISTANTE APENAS MEIA QUADRA DA ESTAÇÃO DA V. FERREA"



"Possúe uma lavanderia modêlo"



Proprietário: Cícero Teixeira

Hotel do Comércio
Vista atual
Foto: verão 2009/2010




Hotel do Comércio, em primeiro plano à direita
Imagem clicada provavelmente do alto do Banco do Estado do Rio Grande do Sul com vista para a av. Presidente Vargas
Foto: cortesia Museu Municipal Patrono Edyr Lima



Fonte: Cachoeira Histórica e Informativa
1940
Vitorino & Manuel de Carvalho Portela


Foto: cortesia Museu Municipal Patrono Edyr Lima
Álbum da Corsan, 1924

Vista do Hotel do Comércio a partir da rua Sete de Setembro. Ao fundo o banco Banrisul, um pouco mais adiante, à direita a ex-sede do Unibanco com possibilidade de ser restaurado e bem mais ao fundo a saudosa Estação Ferroviária, demolida em 1975.
A parte do prédio do Hotel que chegava até a esquina não existe mais.
Segundo depoimento de Dóris Gressler, era nessa parte que funcionava o restaurante.
Hoje encontra-se no local um posto de gasolina.




"Ruínas" do Hotel do Comércio vistas a partir do cruzamento da av. Presidente Vargas e rua Marechal Floriano

O Hotel do Comércio, um dos mais importantes e glamurosos da nossa cidade, hospedou pessoas ilustres como em 1916, o Príncipe dos Poetas, Olavo Bilac que esteve em Cachoeira do Sul promovendo a Liga de Defesa Nacional.
Na Festa do Trigo de 1956, segundo Eduardo Minssen, o prefeito era Arnoldo Paulo Fürstenau e, como "dono da casa", hospedou Juscelino Kubitschek.



Estiveram em nossa cidade o presidente Juscelino Kubitschek e seu vice, João Goulart em 1956, para prestigiar a FESTA NACIONAL DO TRIGO (2O a 22 de novembro). Para JK, foi construída (?) na residência do prefeito, segundo depoimento de Ione Carlos, uma suíte com banheiro especialmente para o presidente.
A antiga morada do ex-prefeito fica(va) do lado da casa da professora de Inglês Iza Ivi Gressler, na rua Comendador Fontoura.




Não havia mais lugares na morada de Fürstenau e, "obviamente", o vice Jango e o resto da comitiva ficaram no Hotel do Comércio, ainda segundo Eduardo Minssen.

Apenas para desenferrujar um naco de uma página da história, por muito pouco, Juscelino não toma posse se não houvesse acontecido o levante militar coordenado pelo Ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott.
Eleito com 36% dos votos (em uma aliança PSD-PTB e com o apoio do Partido Comunista), sua eleição foi contestada pela UDN (União Democrática Nacional) de Carlos Lacerda, alegando que JK não havia sido eleito pela maioria do eleitorado.
JK pelo PSD, Partido Social Democrático e Jango pelo PTB, Partido Trabalhista Brasileiro assumem em 31 de janeiro de 1956 para um mandato que duraria até 1961.



"Cosinha de 1ª"
Beleza e glamour


"Completo serviço de cópa"
Foto: cortesia Museu Municipal



"Estabelecimento de primeira ordem no genero, dispondo de acomodações confortaveis e higiênicas"
Foto: cortesia Museu Municipal


Quantas pessoas sabem quando por esta calçada transitam, que ao lado dela havia um dos mais requintados hotéis de Cachoeira?
E por que não sabem?



Para onde está fugindo nossa história?


O prédio, além de encolher, está em assombrosa decadência.


Coberta com delicados detalhes neoclássicos, está em ruínas ... E bem no centro da cidade. ...




Mas o que é isto?
Diagnóstico: fratura exposta.


Vai ficar assim?
Vai.


Hoje, 15 de novembro de 2010, numa matéria publicada no Jornal do Povo, intitulada "Cachoeira quer ser cidade modelo" consta um item "Para saber mais". Nele há um mapeamento de Cachoeira: vantagens competitivas, fraquezas, oportunidades - forças externas e ameaças - obstáculos externos.
No item oportunidades - forças externas, a última linha diz POSSIBILIDADES TURÍSTICAS ...
Penso que Cachoeira perdeu o bonde desta história.



O passado da cidade, com exceções, está a-r-r-u-i-n-a-d-o.



FOTO: cortesia Museu Municipal Patrono Edyr Lima
Antigo Hotel América, onde hoje está a sede atual do Banco do Brasil, agência Sete de Setembro.



Imagem escaneada do livro:
Cachoeira Histórica e Informativa
1940
Vitorino & Manuel de Carvalho Portela


Importante observar que tanto na propaganda do Hotel Savoia quanto do Hotel do Comércio, o CHAMARISCO era a proximidade do hotel da Estação Ferroviária - meia quadra, uma quadra ...

Existe um filme quardado na Secretaria do Áudiovisual/Minc, Rio de Janeiro com duração de 12 minutos sobre a Festa Nacional do Trigo.
Assim como recentemente foi resgatada uma filmagem de 1941 sobre a Festa do Arroz feita pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) de Getúlio Vargas, por Eduardo Minssen (será apresentado e comentado ao público no dia 26 de novembro, na Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha), existe a possibilidade de se conseguir uma cópia desta filmagem, da Festa Nacional do Trigo de 1956.


sábado, 13 de novembro de 2010

KURT RIETH, UMA HISTÓRIA - PRIMEIRA PARTE

KURT RIETH (11.10.1914, Alemanha - 1945, Rússia)
 
Ontem, a diretora do Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul, Ione S. Carlos, mostrou-me uma série de documentos da Família Rieth. Ontem à noite a Natália, bisneta de Ernst Julius Rieth telefonou. Havia visto a foto do tio-avô (Kurt Rieth, filho de Ernst Julius Rieth) no blog, em postagem do dia 11 de setembro de 2010.

Ernst Julius Rieth, nascido em Neuhausen, Nueringen, Würtenberg, na Alemanha em 1º de abril de 1871, formou-se na Koenigliche Baugewerbeschule de Stuttgart, em 1904.
Em 1914 fixou-se em Cachoeira. Casado com Frida Scheck Rieth 911.5.1891 - 20.5.1957) teve quatro filhos: Liselotte (Charlotte)(23.12.1991-30.4.1917), Kurt, Julius Ernesto e Hildegard.
Ernst Julius Rieth realizou projetos e/ou obras de grande importância em Cachoeira do Sul:
* projeto de reforma da Igreja Matriz (projeto do brigadeiro Francisco João Róscio). Segundo a historiadora Ione Carlos, este projeto não foi selecionado porque foram apresentados outros;
* Colégio Imaculada Conceição;
* parte do prédio que abrigou o Café Frísia, na rua 7 de Setembro, esquina General Portinho;
* Hotel do Comércio (localizado no centro da cidade, hoje em ruínas);
* Vinte residências, cinco pontes, quatro armazéns grandes e dois matadouros em "estilo moderníssimo".
Na paróquia da Igreja Evangélica de Cachoeira foram encontrados os projetos para a casa paroquial e o jardim de infância, por ele assinados.
Faleceu em 31 de julho de 1945, aos 74 anos. Estava construindo a Ponte do Irapuá.
O segundo filho de Ernst Julius Rieth chamava-se Kurt.

Kurt foi à Alemanha para cursar engenharia antes do estouro da 2ª Guerra Mundial e não mais retornou.
Morreu na União Soviética ocupada.


Kurt está em pé e é o quarto da esquerda para a direita.
Época: 1930
Local: Colégio Roque Gonçalves
Em pé, da esquerda para a direita:
* Irmão Gabriel Leon, fundador e 1º Diretor do Colégio
* Isidoro Dutra de Albuquerque
* Luiz (?)
* Kurt Rieth
* Antônio Domingos Gomes
* Diógenes Cunha
* Auro Leitão Pereira Krieger
* Belchior Gama de Bem

Sentados, também da esquerda para a direita:
* Fioravante Trevisan
* Germano Meinhardt
* José Ribeiro Paschoal
* José Pereira Krieger
* Edu Macedo de Oliveira
* João Cunha Carpes
* Georges O. Maissiat
* Argeu Fontoura
* (...?)
* Ney da Fontoura Boccanera

Doação da foto: Belchior Gama de Bem (em 1985)
Pesquisa e foto: Museu Muncipal Patrono Edyr Lima


Kurt era amigo de juventude de Carlos Augusto Schmidt. A foto abaixo foi tirada quando Carlos tinha 24 anos, Kurt deveria aproximadamente a mesma idade.
No Museu Municipal Edyr Lima existe uma foto de Kurt junto aos colegas de escola. Vou procurá-la e publicarei. Também tentarei descobrir novos detalhes desta história sofrida e impressionante.


Kurt Rieth e Carlos Augusto Schmidt, em 1932, na Praça Borges de Medeiros (Praça da Caixa d'Água)


Rússia*, 05 de junho de 1943.

Querido tio, querida tia**!

Hoje é domingo e tirei um pouco de tempo para escrever.
Já estou há uma semana no front e já me habituei bem. Encontrei aqui bons camaradas (no sentido de companheiros), de maneira que não me sinto só. Durante o dia sempre temos muito que fazer e isto é muito bom, não se tem tempo para pensar/refletir.
Muito muito me lembro de nossa querida Stuttgart, que se tornou minha segunda pátria.
Aqui na Rússia há lugares bonitos, só as pessoas deste país são sujas e desleixadas.
Acertei muito bem, fui incorporado à uma unidade suábica (Schwaben) e já me sinto muito em casa. Moramos entre seis numa barraca, onde já me instalei confortavelmente.
A gente pode tornar as coisas bonitas, mesmo aqui fora, é só querer.
É somente uma lástima que se está tão longe da pátria.
Só se pode pensar nela e nos entes queridos que lá estão.
Muitas lembranças de coração,
vosso Kurt


* Kurt não especifica qual lugar da Rússia, o que historicamente é uma lástima. Porém pela data é possível saber em que ponto estava a guerra. Seguirei pesquisando.
** Kurt escreve aos tios e primos que residem em Stuttgart.

Observação: as cartas dos soldados do front eram "censuradas". Aos soldados e oficiais era proibido descrever aos entes queridos a "insanidade" da guerra. Também era proibido opinar desfavoravelmente bem como descrever a destruição ou incitar o derrotismo e a covardia. Muito menos questionar a Operação Barbarossa, a invasão das terras russas em 1941, decidida pelo Führer e desaconselhada pela maioria do Alto Comando.
Renate E. S. Aguiar

Stuttgart, 10 de setembro de 1943.

Prezada família Rieth,

Pelo heróico tombamento na guerra de seu querido primo Kurt Rieth, expresso-lhes, em nome de minha família, meus sinceros pêsames.
Já como estudante, ele se tornou um querido e jovem amigo meu, pelo qual estou de luto respeitoso.
Seu modesto e bom caráter, bem como seu talento, prometiam dele ainda realizações significativas.
Oportunamente queiram por obséquio transmitir meus pêsames também a seus pais, no exterior.
Com saudação silenciosa,
Professor Speidel


Obs: as cartas originais, em alemão, possuem tradução para o português feitas também já há bastante tempo. Foram realizadas algumas pequenas correções ortográficas.

Primeiras pesquisas:
Depoimento Natália Rieth, Ione Carlos, arquivos da Família Rieth.

Foto: acervo pessoal Renate Aguiar