Orgulho!

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sábado, 9 de julho de 2016

TARDE DEMAIS PARA OS IRAQUIANOS E PARA OS POVOS QUE SOFRERAM E SOFREM AS CONSEQUÊNCIAS

A HISTÓRIA JAMAIS PERDOARÁ!
AI DOS VENCIDOS!

"O documento final tem 2,6 milhões de palavras e levaria nove dias de intensa atividade para ser lido de cabo. É mais de três vezes mais longo que a Bíblia, e duas vezes e meia a série completa de Harry Potter.
BBC, 6 de julho de 2016.

Bíblia e Harry Potter? Misericórdia!

Vivi com revolta e indignação aqueles terríveis dias de 2003, guardei jornais inteiros, matérias, fotos. 
Treze anos depois explode uma 'mea culpa' - o Relatório Chilcot, TARDE DEMAIS PARA UM MILHÃO DE IRAQUIANOS MORTOS! 
O purgatório e o inferno do povo do Iraque não terminou!

Um belo, rico e histórico país foi destruído, a população aterrorizada, Sadam Hussein foi estranha e rapidamente enforcado. 
Havia vários anos que o Iraque sofria um cerco (o de Cuba durou 60) de 10 anos que impedia INCLUSIVE  e entrada de medicamentos e toda sorte de necessidades para os hospitais do país.
O mundo se encolheu, ficou menor do que já é. A ONU disse NÃO e ficou assim.
Sadam Hussein longe de ser santo JAMAIS havia encostado UM DEDO em qualquer cidadão americano ou inglês. As religiões conviviam bem e os cristãos do país eram respeitados. 



A invasão do Iraque em 2003 se baseou em justificativas legais "insatisfatórias e inteligência falha, e ocorreu antes do esgotamento de soluções pacíficas e apesar de sinais claros de que não havia planejamento suficiente para estabilizar o país no pós guerra.
Essas são as conclusões de um aguardado relatório encomendado pelo governo britânico - quando o premiê era o trabalhista Gordon Brown - sobre a participação do Reino Unido na intervenção militar que levou à deposição do então presidente Saddam Hussein, em março de 2003.




As armas, porém, nunca existiram, e o relatório pinta Blair como um líder cegamente fiel aos Estados Unidos de George W. Bush que "superestimou sua capacidade de influenciar os EUA" e havia decidido pela mudança de regime no Iraque muito antes de qualquer ameaça concreta.

O relatório cita inclusive um memorando confidencial escrito por Tony Blair e Bush em julho de 2002, poucos meses da invasão, em que o ex-premiê britânico diz: "Estarei com você, para o que der e vier".



Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o ex premiê deu suas explicações sobre o ocorrido e até admitiu alguns problemas na operação, mas justificou sua atitude dizendo que agiu cumprindo genuinamente a orientação dos órgãos de inteligência.




"Eu agi com boa fé e acreditei genuinamente nas informações de inteligência que me passaram", afirmou Blair.
"Eu digo às pessoas de boa sanidade mental: vão, vejam os relatórios e me digam se não teriam feito as mesmas decisões que fiz."





Blair ainda afirmou não haver "inconsistência em dizer que sente muito pelas mortes que aconteceram, mas não pela decisão que tomou."








AMEAÇA DISTANTE

As acusações são um "fantasma" que nunca deixou de perseguir o ex-premiê britânico. A invasão do Iraque foi a decisão política externa mais controversa do Reino Unido em meio século, e praticamente ofuscou qualquer outro legado do ex-líder trabalhista em qualquer outra área.

De acordo com o documento, após uma conversa com Bush, Blair havia sugerido uma mudança de regime no Iraque já em dezembro de 2001.



Ele acreditava que a intervenção no Afeganistão, realizada após o 11 de setembro de 2001 com apoio da comunidade internacional, daria uma conotação positiva à expressão - mudança de regime, o que beneficiaria nosso argumento sobre o Iraque".

Para John Chilcot, a ameaça de armas de destruição em massa iraquianas "estava certamente presente mas não se justificava". Ele afirmou que opções de desarmamento pacíficas "não haviam sido esgotadas" quando Blair decidiu que deveria intervir no país. "Ação militar não era o último recurso", concluiu a investigação.

Sem apoio da comunidade internacional, a concordância britânica em se aliar aos EUA contra Saddam Hussein minaram os esforços do Conselho de Segurança da ONU, afirma o relatório.

"Uma ação militar no Iraque poderia ter sido necessária em algum momento. Mas em março de 2003 não HAVIA AMEAÇA IMINENTE POR PARTE DE SADDAM HUSSEIN. A estratégia de contenção poderia ter sido adotada e implementada, a maioria do Conselho de Segurança da ONU apoiava continuar as inspeções da ONU", disse John Chilcot.







Pior: o Reino Unido ignorou "advertências explícitas" de que o planejamento do pós-guerra era "completamente inadequado".

DESPREPARO

As autoridades britânicas sabiam que o Iraque precisaria de esforços para reconstruir sua infraestrutura e administrar um Estado em que a elite governante havia sido removida e não se conheciam as capacidades administrativas dos funcionários públicos restantes.

As advertências também apontavam claramente para os desafios de segurança em um país suscetível à violência sectária, ao terrorismo e à interferência externa.

Em dezembro de 2002, o Ministério da Defesa britânico não considerava satisfatórios os planos da fase pós-conflito.

"Ao longo de todo o processo de planejamento, o Reino Unido assumiu que os americanos seriam responsáveis por preparar um plano pós-conflito, que as atividades pós-conflito seriam autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, que haveria um acordo estabelecendo o papel da ONU no pós-conflito, e que parceiros internacionais apareceriam para compartilhar o fardo pós-conflito", disse o documento.

Apesar de estar ciente de que esse cenário não se concretizaria - os EUA não queriam assumir responsabilidade pelo Iraque e o apoio internacional dificilmente viria sem autorização da ONU -, "em nenhum momento o governo britânico considerou formalmente outras opções, incluindo a possibilidade de condicionar a participação na ação militar a um plano satisfatório pós-conflito".

No relatório, Tony Blair diz que a invasão do Iraque foi decidida de boa-fé. "Hoje sabemos que a campanha militar para derrotar Saddam Hussein era relativamente fácil; o difícil era o pós-guerra", disse. "Na época, claro, não podíamos saber disso."




John Chilcot, porém, discorda que fosse impossível antecipar esses problemas. "Os riscos de conflito civil no Iraque, a atuação do Irã em seu próprio interesse, a instabilidade regional e a atividade da Al Qaeda no Iraque estavam explicitamente identificadas antes da invasão."

Consequências

A divulgação do relatório elevou a pressão sobre Blair para que peça desculpas aos críticos da guerra do Iraque. Antes da invasão, uma passeata em Londres contra a intervenção reuniu 750 mil pessoas segundo a polícia - ou mais de um milhão de acordo com os organizadores.

O ex-premiê e outras pessoas responsáveis pela invasão também podem ser alvo de processos na Justiça, segundo um porta-voz das famílias de 179 militares e civis britânicos mortos no Iraque entre 2003 e 2009.

O atual líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que à época fez oposição à intervenção militar, disse que o relatório comprovava que a ação foi "ilegal".




Após a invasão, o Iraque entrou em um período de vácuo de poder e em uma espiral de violência da qual até hoje ainda não saiu.

Civis iraquianos foram os que pagaram o preço mais alto. As estimativas para o número de mortos desde 2003 variam de 100 mil a 600 mil (????), sendo a primeira uma estimativa conservadora.



Além disso, 179 britânicos e centenas de americanos foram mortos durante a ocupação.

O Iraque continua imerso em conflitos sectários, com um poder central fragmentado e territorialmente ameaçado pelo grupo autodeterminado "Estado Islâmico".


População sitiada em Fallujah, foge desesperada pelo Rio Eufrates


Ruínas de Ramadi após expulsão do Estado Islâmico






Universidade de Ramadi, destruída pelo Estado Islâmico

Por causa da complexidade da tarefa, o relatório Chilcot levou sete anos para ser concluído. Os trabalhos requereram a análise de milhares de documentos e meses de entrevistas para obter evidência oral.

Questões sobre publicar ou não as mensagens privadas de Blair e Bush também adiaram a publicação, assim como o tempo necessário para ouvir as pessoas criticadas no relatório.


A moita (Bush) e seu cachorrinho Blair
Fontes:
BBC, 6 de julho de 2016.
Jornais: acervo particular.

sábado, 28 de maio de 2016

1966-2016 - CINQUENTA ANOS SEM SÉRGIO GASPARY LEZAMA

Há alguns anos participei de uma oficina de poesia "Ora conversa, ora verso", com Célia Maria Maciel. Tenho guardado comigo quatro preciosas folhas com poemas, entre os quais dois do poeta cachoeirense Sérgio Gaspary Lezama.
Lembro-me como se fosse hoje, das lágrimas brotando dos olhos de Célia, ao ler dois dos seus sonetos para o nosso enxuto grupo. 
Foi amor à primeira vista: paixão pelo versos de Lezama, pelos cânticos de sua orfandade, pelas suas prosódias e prosopopeias, pela densidão e pelo alcance atemporal dos seus escritos de cinquenta anos atrás. Sérgio calou na minha alma e neste ano estranho pelo qual atravessamos, serão completados cinquenta anos da morte precoce deste autor talentoso.
Certa vez meu irmão comentou: existem autores que produziram uma única obra-prima. Em outras palavras, quantidade não é sinônimo de qualidade. A herança de Lezama é escassa, ronda em torno de cinquenta escritos, porém qualidade é que não falta a eles.
Filho de um espanhol com uma brasileira, perdeu aos 14 anos sua mãe. Estudou no Colégio Roque Gonçalves, onde foi orador da turma por ocasião de sua formatura. Posteriormente foi trabalhar na cidade de Santa Rosa, onde dirigiu por uma temporada, a Biblioteca Pública.

Sérgio costumava andar vestido bem assim como na foto: terno e gravata!
De quem seriam as fotos atrás dele? Há uma foto dum senhor com um menino,
seria ele, talvez? Não há datação nesta imagem.


Sérgio sofria de asma e veio a falecer aos 36 anos. 
Não sei as razões do trabalho dele ter sofrido um lapso, quando entendo que ele deveria já ter sido reunido há muito tempo num opúsculo e que este eternizasse para os cachoeirenses um dos seus mais talentosos filhos poetas.
Na primeira edição da coletânea 'Poetas do Vale', foram publicados alguns dos seus poemas. Em breve irei publicá-los.

Anseio de fugir ao imediato
de partir antes de representar o extremo ato
da tragicomédia de existir!
Vontade de virar a cidade de pernas para o ar,
e percorrendo bares e cafés de uma vez,
o pálio da revolta desfraldar na cara do burguês.
Vontade de ser outro, bem diverso deste louco
que faz versos, mas é incapaz de triunfar na vida.
Desse louco, que ainda há pouco, pensando em mares,
fugas, ilhas, viu-se chorando como um calouro
diante de um velho álbum de família.

Poema publicado nas colunas de Eduardo Florence em 8 de novembro de 2003 e 19 de janeiro de 2013.
Fonte de pesquisa: 'As Ruas da Cidade', Jornal do Povo, 15 de junho de 2013, Mirian Ritzel.

domingo, 22 de maio de 2016

REVOLUÇÃO RUSSA

A REVOLUÇÃO RUSSA


Este postal pertencia ao meu pai. Como foi parar nas mãos dele, não sei. Após seu falecimento, foi a vez da minha mãe guardá-lo. Hoje, é uma das jóias da minha coroa. Consta atrás a identificação dos soberanos russos: Pedro, o Grande; Alexander II; Alexander III; (novamente Pedro, o Grande); Nicolaus II, Nicolau II, Katharina II, Nicolaus I, Alexander I, Alexei Michailowich; Paul I; Elizabeth, Michael Feodorowschy; Kremlin; Palácio de Inverno; Residência Romanov; Nicolau II. O postal foi impresso em Moscou, 1913. As três fotos centrais, maiores, da esquerda para a direita: Pedro, o Grande; Alexei e Nicolau II.

Nicolau II e Alexandra caracterizados luxuosamente

INTRODUÇÃO

Alan Wood
Professor de História da Rússia
Universidade de Lancaster

"A Revolução Russa de 1917 é sem dúvida, o fato mais importante da história política do século XX. Um observador contemporâneo da Revolução, o jornalista John Reed, deu a seu famoso relato desses acontecimentos o título de Os dez dias que abalaram o  mundo, e os tremores e as reverberações provocados pela sublevação continuam a ser registrados ainda hoje. Setenta anos depois do evento (no momento em que escrevo), as ondas de choque emanadas da Rússia em 1917 provocam um impacto direto ou indireto em toda uma gama de problemas políticos, econômicos, ideológicos, diplomáticos e militares em todo o mundo. Uma avaliação das causas, rumos e consequências da Revolução Russa, portanto, não se restringe a uma simples questão de interesse histórico, mas é algo decisivo para que se tenha um entendimento adequado e bem informado do mundo político em que vivemos, e em que a União Soviética - como Estado e sociedade nascidos dessa Revolução - desempenha um papel de extrema importância.

John Silas Reed (1887-1920)

Livro 'Os dez dias que abalaram do mundo'
,                                                                      
Este 'panfleto' (no caso, o opúsculo de Alan Wood) se limita a um exame de causas e dos rumos da Revolução desde a emancipação dos camponeses-servos da Rússia em 1861 até a tomada do poder político pelos bolcheviques em outubro de 1917. Uma análise das consequências dessas profundas mudanças será deixada para um futuro estudo.
Por que iniciar o exame da Revolução de 1917 no ano de 1861? Não é necessário adotar a visão marxista-leninista da história para que se concorde com a opinião do próprio Lênin de que as sementes da Revolução foram lançadas ao solo quando da insatisfatória legislação que aboliu a servidão na Rússia em 1861.


Camponeses russos. Era a maioria da população. Todos iletrados. Repare na mulher da escada que está sem sapatos.

O ambíguo e contraditório programa de reforma administrativa que se seguiu ao Ato de Emancipação gerou novas forças sociais, políticas e intelectuais que, contudo, foram limitadas pelo rígido quadro político de um Estado absolutista e autocrático. É uma lei física, se não histórica, a que nos ensina que a força de pressão do vapor contido em um recipiente rígido, sem espaço para sua expansão, sem qualquer estrutura elástica ou válvulas de segurança, provocará uma explosão e estilhaçamento desse recipiente.


Um batalhão de mulheres, mais bem vestidas (inverno) participando de protesto

Essas perigosas forças e pressões, tanto latentes quanto ativas, podiam ser constatadas por qualquer um na décadas que antecederam o ano de 1917. A revolução sempre constou da agenda tanto da autocracia quanto da oposição. Os intelectuais russos constantemente falavam e escreviam sobre ela, os ativistas se organizavam para ela, o governo legislava contra ela, e as forças militares e policiais, combinadas entre si, estavam em constante alerta para sufocá-la. Mas foram as massas, o povo russo, que por fim a concretizou. As páginas que se seguem procuram descrever e analisar algumas das circunstâncias objetivas e alguns dos fatores subjetivos que contribuíram para esse processo, criando as tensões e contradições dentro do Império Russo que só poderiam ser resolvidas pela revolução. Antes, porém, é necessário identificar algumas das importantes características do regime czarista e as antigas tradições revolucionárias a ele opostas."


Este pequeno opúsculo é grandiosos em informações sobre as condições do Império Russo pré-revolucionário

Líderes da Igreja Ortodoxa Russa

Oficiais do exército do czar

Esta foto mostra o primeiro carro russo.
A troika que sustentava a autocracia: Igreja Ortodoxa, Exército e burguesia.
Fotos de Maxim Dmitriev

Se isto não é escravidão feudal, o que seria então?
Um dos símbolos da miséria do povo russo era os barqueiros
do rio Volga. estes homens eram usados como animais de carga,
rebocando barcos até as margens do rio. Se um deles
caísse doente, simplesmente recebia seu salário e era
abandonado nas margens do Volga. 



Exército russo pronto para ser MOÍDO na Primeira Guerra Mundial. Enquanto as bombas explodiam nos campos dantescos,
no Império Russo a Revolução avançava. Milhares de soldados russos desertaram por absoluta falta de condições para a luta, sem armas, sem alimentos, sem roupas adequadas, sem comando. Os oficiais não sabiam se atendiam o front da guerra ou defendiam os Romanov que estavam por um fio no Império.


Vladimir Ilitch Lenin
Disfarçado (peruca e barba raspada)
Refugiado na Finlândia
11.08.1917
Nicolau II e Alexandra com seus cinco filhos: Olga, Maria, Tatiana, Anastácia e Alexei (que era hemofílico)


Este lugar ficou desconhecido do mundo e dos russos por décadas. Somente após a queda do comunismo os restos mortais dos Romanov foram resgatados, identificados e estão enterrados hoje na Catedral de Pedro e Paulo em São Petersburgo.


Rasputin
Nos muros do Kremlin estão enterrados heróis nacionais como o cosmonauta Iuri Gagárin, o comunista norte-americano John Reed - autor do livro 'Os dez dias que abalaram o mundo', soldados mortos na segunda guerra e quase todos os líderes do governo comunista - Stálin, Leonid Brejnev, Iuri Andropov, Konstantin Tchernenko.
As exceções são Nikita Khruschov, que foi expurgado por ter denunciado os crimes de Stálin e Mikhail Gorbatchov, que está vivo.

"Culto à imagem"
Curiosidade:
O corpo de Lênin é mantido a uma temperatura e nível de umidade controlados dentro de uma caixa de vidro à prova de balas. Todos os anos, o processo de embalsamamento é renovado, o que pode manter o corpo no atual estado de conservação durante séculos.
"Minha opinião": enterrem seus restos!


Segundo a revista Galileu, cada vez mais partes do corpo de Lênin
são substituídas por plástico.